Haddad: novo Enem não exigirá que aluno decore fórmulas e datas históricas

BRASÍLIA - O Ministério da Educação (MEC) e o comitê responsável pela elaboração do novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) decidiram na última quarta-feira qual será a matriz de habilidades da prova que substituirá o vestibular das universidades federais. Segundo o ministro Fernando Haddad, os conteúdos permanecerão os mesmos que são ministrados hoje pelo ensino médio, o que muda é a ¿forma de perguntar¿.

Redação com Agência Brasil |

Não se está reinventando nada, até por respeito aos alunos que estão concluindo o ensino médio na forma atual. O que se aprovou, tendo por base os conteúdos, foi como abordar os conteúdos. A ênfase deixa de ser na memorização e passa a ser na capacidade de compreensão dos fenômenos da natureza, por exemplo, disse.

A matriz de conteúdo será divulgada nesta quinta-feira, após reunião com os secretários estaduais de educação. Segundo Haddad, o novo formato não permite as pegadinhas, por exemplo, nem vai exigir que o aluno decore uma fórmula ou a data de um fato histórico. O que ele precisa saber é como se desenrolaram os processos históricos e a implicação dos fatos na vida dos países, disse.

O ministro acredita que como nem todos os conteúdos podem ser cobrados a partir da matriz de habilidades estabelecida pelo MEC, a tendência é que o volume de conteúdos diminua. Hoje o programa de ensino médio é um empilhamento dos programas dos vestibulares, defendeu. Em breve, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) deve divulgar um modelo da prova para que os alunos tomem conhecimento do formato.

O presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), Amaro Lins, ressaltou que muitos vestibulares do país já adotam esse formato de prova. O grande avanço é que o país inteiro vai ter a possibilidade de um exame que tem grandes ganhos em relação ao modelo atual, apontou.

Haddad disse ainda que vai pedir um reforço ao Ministério da Justiça na aplicação e logística de distribuição da provas. Hoje, cerca de 2 mil agentes da Polícia Federal fazem a segurança nos locais de prova do Enem, mas em função do possível crescimento do número de inscritos, o MEC quer aumentar esse efetivo.

Como já tinha sido determinado pelo MEC, a prova será nos dias 3 e 4 de outubro. Os estudantes que quiserem se candidatar às vagas de uma das instituições participantes devem necessariamente participar do exame que terá uma redação e 200 questões de múltiplas escolhas. Os testes serão de linguagens e códigos, matemática, ciências naturais e ciências humanas.

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