Haddad defende foco na educação para superação de desigualdades sociais

BRASÍLIA - Os debates sobre a superação das desigualdade sociais, que vêm priorizando a economia e a concentração da propriedade, precisam focar mais a educação e a concentração do conhecimento. A idéia foi defendida nesta terça-feira, em Brasília, pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, na abertura do 2º Simpósio Internacional e Fórum Público em Educação, Igualdade e Justiça Social. O encontro reúne, até o próximo domingo, especialistas do Brasil, África do Sul, Reino Unido e Índia.

Redação com Agência Brasil |

No estágio atual do desenvolvimento da civilização, a concentração do conhecimento tornou-se tão dramática quanto a da riqueza e, por isso, é necessário equalizar as oportunidades educacionais, como prevê a Constituição brasileira, disse Haddad.

Universalizamos o acesso, mas temos de garantir que educação de qualidade não seja privilégio do local ou da família de nascimento, mas um direito fundamental de todos os brasileiros. O Brasil sabe educar, o Brasil detém tecnologia educacional, mas não para todos.

Segundo o ministro, a desigualdade no ensino é a principal responsável pela 52ª posição ocupada pelo país na avaliação internacional da educação básica, pois enquanto 50% dos alunos têm alto desempenho, a outra metade está desamparada fazendo cair a média nacional.

Haddad destacou ações implementadas para combater a desigualdade educacional, como a criação dos sistemas de avaliação para acompanhar os resultados das mais de 40 mil escolas urbanas do País e assim gerar indicadores para atuar sobre os problemas existentes.

O ministro lembrou que os dados já tornaram possível canalizar o apoio técnico e financeiro federal para cerca de 1.200 municípios e 9 mil escolas que mais precisam dele, enquanto, antes da estatística, os recursos acabavam indo para as redes escolares mais estruturadas, que conseguiam apresentar melhores projetos.

A ministra da Educação da África do Sul, Grace Pandor, destacou as dificuldades encontradas para oferecer condições igualitárias de educação. As mudanças educacionais parecem fáceis, evidentes, mas é complexo contemplar a igualdade em uma sociedade desigual, afirmou Grace. As medidas nesse sentido são recentes na Africa do Sul, onde a democracia tem apenas 14 anos e precisa dar conta das discrepâncias geradas com o regime de apharteid (de separação entre brancos e negros) que vigorou até os anos 90.

De acordo com Grace Pandor, a partir de 1995, com a nova Constituição do país, milhares de crianças que estavam excluídas passaram a ter direitos legais de acesso a educação e, embora os investimentos na área tenham sido aumentados em 27%, não têm sido suficientes para erradicar o estoque de desigualdade criado no período em que o governo investia cinco vezes mais na educação de brancos (minoria no país) do que na de negros.

A pobreza acaba minando a educação. O capital cultural é tão diferente entre os alunos que o fato de serem pobres, não lerem em casa, não terem apoio para os estudos e até mesmo terem que trabalhar, vai contra todos os esforços, disse a ministra, referindo-se a medidas como a construção de escolas e contratação de professores para incorporar os alunos e melhorar a qualidade do ensino.

Grace Pandor informou que a África do Sul tem investido na melhoria da infra-estrutura das escolas, já que 70% delas não têm biblioteca, só 18% contam com laboratórios e 63% funcionam sem água a menos de um quilômetro de distância.

O fórum, aberto hoje durante sessão da Comissão de Educação e Cultura e Esporte do Senado Federal, terá continuidade em Campo Grande, onde os representantes dos países irão trocar experiências sobre o uso de tecnologias na educação e promoção da inclusão social.

A parceria internacional na área de educação foi firmada pelo atual presidente da comissão, senador Cristovam Buarque (PDT-DF), quando ministro da Educação, no primeiro mandato do presidente Lula. Segundo ele, o Reino Unido aceitou o desafio de sediar a primeira edição do debate, em 2006, e os outros dois países, além do Brasil, foram escolhidos por enfrentar problemas semelhantes.

O próximo encontro deve ocorrer em Joanesburgo, na África do Sul, no segundo semestre deste ano. O objetivo é dar origem a um documento apontando como usar a educação como vetor para superação da pobreza.

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