Grevistas e reitoria "conversam" via imprensa

Sintusp "envia" carta à reitoria por meio da imprensa. USP responde também pelos meios de comunicação

iG São Paulo |

O Sindicato dos Trabalhadores da Universidade de São Paulo (Sintusp) divulgou nota no início da tarde desta quinta-feira pedindo reunião com o reitor da Universidade de São Paulo (USP), João Grandino Rodas. O documento foi divulgado a veículos de imprensa porque o Sintusp afirma não saber onde Rodas está trabalhando. Os grevistas ocuparam a reitoria da universidade na última terça-feira e agora procuram retomar as negociações.

A universidade também enviou à imprensa a resposta ao pedido do Sintusp. Afirma que está aberta a negociações.

Leia, abaixo, as íntegras dos comunicados.

"Magnífico Reitor da USP

Prof. Dr. João Grandino Rodas

Sem ter conhecimento do local onde encontra-lo, o Comando de Greve dos Trabalhadores da USP, recorre aos veículos de comunicação e à internet, para reiterar publicamente a proposta de realizarmos uma nova reunião da Comissão de Representantes dos Trabalhadores em greve, com a reitoria da USP.
Nossos objetivos são:
01) Assegurar o pagamento imediato dos dias descontados dos salários de aproximadamente 1000 (um mil) trabalhadores (as), que se encontram em greve;
02) A imediata abertura de negociações entre o CRUESP e o Fórum das Seis, visando o restabelecimento da isonomia entre funcionários e professores da USP, UNESP e UNICAMP, conforme o acordo firmado entre o próprio CRUESP e o Fórum das Seis, em 1991 e a busca de acordos e torno dos demais itens da pauta unificada.
03) Estabelecer um protocolo para a negociação dos itens da pauta especifica.
E para que não restem duvidas a respeito de quem quer ou não negociar, este Comando de Greve propõe a realização dessa e das próximas reuniões em local aberto, para que a comunidade universitária, a imprensa e principalmente a população, possam ver e ouvir. Nada temos a ocultar de quem paga não só os nossos salários, mas também o salário a aposentadoria, a verba de representação e as diárias do Magnífico Reitor.

Sendo só para o momento, aguardamos vosso retorno.

São Paulo, 10 de Junho de 2010.

Ass. Comando de Greve dos Funcionários da USP. "

"Senhores Representantes do Sindicato dos Trabalhadores da USP,

Em resposta à mensagem eletrônica de Vossas Senhorias recebida nesta data, reafirmamos que a Universidade mantém-se aberta ao diálogo e negociação, tendo como base os termos da proposta de acordo tornado público eletrônicamente no dia 02 do corrente mês, por meio da Comissão que vinha negociando com esse sindicato.

São Paulo, 10 de junho de 2010

A Reitoria"


No final da tarde desta quinta-feira, o Conselho dos Reitores das Universidades Estaduais de São Paulo (Cruesp), por meio de sua assessoria de imprensa, também se manifestou em um comunicado:

" Nas últimas semanas, a pretexto de reivindicar direitos salariais, manifestantes com baixa representatividade em suas categorias e objetivos claramente políticos, passaram a usar de violência como forma de intimidar toda a comunidade universitária, como fica claro nas recentes invasões das reitorias da Unicamp (26/05) e USP (08/06).

O Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) reconhece o direito de greve nos limites previstos na Constituição e na lei, entretanto não pode aceitar ações de vandalismo que desrespeitam as instituições universitárias, depredam o patrimônio público e afrontam o estado de direito.

Além de representar um ato extremo de agressão, a atitude dos manifestantes é injustificável sob qualquer ponto de vista, uma vez que a política de valorização salarial adotada pelas universidades estaduais paulistas tem mantido os salários acima da inflação.

Também não se sustenta o alegado desrespeito à isonomia relacionada às reestruturações de carreira, uma vez que tais reestruturações, desde a conquista da autonomia universitária em 1989, têm ocorrido em momentos distintos tanto para docentes como para funcionários, sem prejuízo do poder aquisitivo para ambas as categorias.

Os reitores da Unicamp, USP e Unesp mantêm-se abertos ao diálogo, mas consideram que atos à margem da lei inviabilizam a interlocução civilizada com as instituições atacadas, que se veem no dever de recorrer a todos os meios legais para manter o funcionamento de suas atividades e preservar o patrimônio público.

CRUESP

São Paulo, 10 de junho de 2010"

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