Obstrução de creche e promessa de ocupação do centro de processamentos da USP são armas dos manifestantes para pressionar reitoria

Com a aproximação do dia 3 de julho, quando servidores públicos ficam impedidos de receber aumento, promoção ou novas contratações, devido à lei eleitoral, funcionários da Universidade de São Paulo (USP) adotaram medida para chamar mais atenção para a greve e pressionar a reitoria a aceitar a proposta de 5% de aumento e o pagamento dos dias parados. Na manhã desta segunda-feira, manifestantes ocuparam a frente da creche central da universidade, destinada a filhos de funcionários e de alunos – a única das três que ainda funcionava.

Segundo o diretor de base do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), Magno de Carvalho Costa, esta unidade praticava uma “greve sanfona”. “Alguns dias eles aderiam à greve, outros não. Os próprios funcionários nos procuraram para fazermos a paralisação completa”, explica.

Pais mais exaltados enfrentaram os manifestantes e um deles chamou a polícia para garantir a entrada das crianças na creche. Entretanto, com a falta de funcionários para cuidar, os pequenos foram levados de volta para casa.

Os funcionários têm reunião marcada com representantes da reitoria no dia 30 de junho, próxima quarta-feira, que será realizada fora da Cidade Universitária: desta vez, será na sede do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais de São Paulo (Cruesp), que fica na Rua Itapeva, região da Avenida Paulista, zona Sul de São Paulo.

Polícia no campus

O Centro de Computação Eletrônica (CCE), onde todas as informações da universidade são processadas, incluindo folha de pagamento dos funcionários e matrículas de alunos, amanheceu nesta segunda-feira ocupado por policiais militares. Foram enviadas para o local 10 viaturas, que permaneceram nolocal até por volta das 14h30.

Viaturas da Força Tática, no estacionamento do CCE, no começo da tarde desta segunda-feira
Carolina Rocha, iG São Paulo
Viaturas da Força Tática, no estacionamento do CCE, no começo da tarde desta segunda-feira
Esta foi a primeira vez que a polícia militar foi chamada para agir no campus desde o início da greve. Mesmo depois da ocupação da reitoria em 8 de junho, a direção da USP nem mesmo executou o mandado de reintegração de posse, obtido no início de maio. A ocupação do CCE pela polícia, segundo a reitoria, seria uma forma de prevenção desta invasão, já que o centro é o coração da universidade.

De acordo com a área de comunicação da PM, eles foram chamados para garantir a segurança do prédio, pois haviam indícios de que haveria manifestações nesta manhã no campus. Costa afirma que os representantes da reitoria foram avisados na semana passada pelo sindicato que, caso não haja acordo na reunião de quarta-feira, os manifestantes invadiriam o CCE, o que gerou a desconfiança de uma ação neste local no dia de hoje.

Perguntado se, mesmo com a presença da polícia no local, acontecerá a ocupação na quarta-feira, o diretor do sindicato afirma que sim. “Se não tiver negociação, vai ser confronto puro”, diz.

Greve

Os funcionários das três universidades estaduais paulistas (USP, Unesp e Unicamp) estão em greve desde o 5 de maio pedindo a isonomia entre os salários deles com o dos professores.

Segundo os manifestantes, a isonomia foi quebrada quando o Conselho de Reitores das Universidades de São Paulo (Cruesp) concedeu aos professores das instituições um aumento de 6%, além de bonificação de R$ 500, o qual não foi estendido aos demais funcionários das universidades.

A isonomia entre os funcionários as três instituições está prevista pelo conselho, mas, de acordo com o presidente do Cruesp e reitor da Unicamp, Fernando Costa, a equiparação vale apenas entre as universidades e não entre as classes.

Segundo o Cruesp, em 2010, o reajuste salarial para os servidores técnico-administrativos das três universidades estaduais públicas foi de 6,57% e esse índice situa-se 1,5% acima da inflação medida pelo IPC-Fipe no período de maio de 2009 a abril de 2010 e corresponde ao limite de comprometimento orçamentário das três instituições.

Em 18 de junho, os servidores da USP decidiram modificar a negociação: passaram a pedir a promoção de todos os 15 mil funcionários da instituição para uma faixa superior, o que garantiria um aumento salarial de 5%, além do pagamento dos dias parados, descontados dos salários de mais de 1600 funcionários.

A reitoria, na última reunião com os sindicalistas, propôs pagar os dias parados em quatro dias úteis depois que os funcionários voltassem ao trabalho. A promoção seria avaliada apenas 48 horas após a volta ao trabalho.

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