Greve e reforma em escolas atrasam ano letivo em São Luís

Capital do Maranhão adiou início das aulas para obras em escolas e professores fazem paralisação por pagamento de gratificações

Wilson Lima, iG Maranhão |

Os alunos da rede municipal de ensino de São Luís, no Maranhão, vivem um drama nesse início do ano letivo. Para alguns, as aulas começaram apenas nesta semana, com quase um mês e meio de atraso; para outros, a expectativa é que sejam iniciadas na próxima semana ou no início de abril. E também há aqueles que, mesmo em meados de março, não têm ideia de quando o ano letivo será retomado.

Dois problemas provocam os atrasos: a greve dos docentes da rede municipal de ensino e a precariedade das escolas.

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Deflagrada em janeiro, a paralisação dos professores começou oficialmente na semana passada em paralelo com a mobilização nacional de defesa do piso na educação . Os professores de São Luís cobram o pagamento de gratificações por tempo de serviço e por qualificação docente. Esses acordos foram firmados em 2010, após uma greve que durou 76 dias. Os docentes também querem melhoria na estrutura das escolas. “Hoje, o professor não tem condições de trabalhar”, disse Lindalva Batista, presidente do Sindicato dos Profissionais do Magistério do Ensino Público Municipal de São Luís (Sindeducação).

A adesão à greve é parcial.

Foi a falta de condições de funcionamento das unidades escolares que fez a prefeitura de São Luís adiar o início do ano letivo de 2012 para o dia 15 de março. A reforma de 219 colégios foi anunciada em fevereiro, mas o prefeito João Castelo (PSDB) assinou a ordem de serviço apenas na quarta-feira passada (14), um dia antes do início do ano letivo de 2012. O secretário de Educação, Othon Bastos, informou que apesar disso não haveria novo comprometimento do calendário escolar. O ano letivo de 2012 deve ser concluído em janeiro de 2013.

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Em várias escolas, porém, professores e alunos estão sendo dispensados por falta de condições de funcionamento. Um exemplo é a Unidade de Ensino Básica (UEB) Menino Jesus de Braga, no bairro Planalto Vinhais. Nesta terça-feira, os alunos voltaram para casa. No colégio, nem banheiros estão aptos para uso.

Na Unidade de Ensino Básico (UEB) Rubem Almeida, na região do Coroadinho, zona periférica de São Luís, os professores aderiram à paralisação e os alunos não sabem quando vão ter aulas novamente. “Não sei o que vou fazer agora principalmente porque eu gosto de estudar”, disse o aluno da 4ª série do ensino fundamental, João Maurício, de 10 anos. “Infelizmente essa é uma situação à qual nós temos que lidar diariamente”, afirmou Raimunda Cristo, tia de Maurício.
A prefeitura de São Luís informou por meio de nota que está negociando com os professores uma alternativa para o pagamento das gratificações em atraso. Além disso, ratificou que a reforma nas escolas não irá comprometer o ano letivo e que em cada escola os alunos terão todo o calendário escolar reposto regularmente.

Dos aproximadamente 130 mil alunos matriculados na rede pública de ensino, aproximadamente 70% (cerca de 90 mil alunos) ainda não tiveram aulas no ano letivo de 2012 conforme levantamento do Sindicato dos Profissionais do Magistério do Ensino Público Municipal de São Luís (Sindeducação). A prefeitura de São Luís discorda. Entretanto, até o fechamento desta reportagem, o município não tinha levantamentos oficiais sobre o início das aulas na rede.

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