Greve dos professores segue pelo terceiro dia e estudantes reclamam

A greve dos professores da rede estadual de ensino de São Paulo entrou no terceiro dia. O iG visitou quatro escolas nesta quarta-feira ¿ E.E. Albino César, E.E. Silva Jardim, E.E.Pastor Paulo Leivas Macalão e E.E. Marina Cintra ¿ e em três delas apenas parte do corpo docente aderiu à paralisação convocada na última sexta-feira pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de São Paulo (Apeoesp). Alunos da escola Albino César, na zona Norte da capital paulista, então com ¿janelas¿ em suas grades de aulas e reclamam da atitude dos professores. ¿Eles têm a postura deles, os motivos deles, mas nós temos de fazer a prova do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) no final do ano¿, protesta Rafael Arias da Silva, estudante do 3º ano do ensino médio. Uma lista indicava no pátio que nove professores haviam aderido à paralisação.

Carolina Rocha, iG São Paulo |

Colega de classe de Silva, Douglas Rodrigues de Lima também reclama da paralisação. É muito ruim, prejudica a gente no Enem e ainda tem que fazer reposição no sábado, reclama.

A escola, que segundo a Apeoesp havia aderido à greve, não estava fechada. Maria Daniela dos Santos, que está no 3º ano do ensino médio, só não teve uma aula. A maioria dos professores estava trabalhando normalmente na escola.  Na semana passada, quando eles fizeram a assembléia, ninguém teve aula. Nós voltamos para casa. Mas nesta semana tenho tido quase todas as aulas, conta.

Outra escola em que os alunos ficaram ociosos em algumas aulas da manhã foi a E.E. Silva Jardim, que também estava na lista de adesão em massa da Apeoesp. Dos 16 professores que deveriam dar aulas, nove constavam na lista de grevistas exibida no pátio para verificação dos estudantes.

Na porta do colégio, na hora da saída, as conversas entre alunos eram sobre a manhã livre que tiveram. Eu só tive duas aulas, diz um aluno. Eu tive todas as aulas, conta outro. Em frente à escola, dois professores seguravam uma faixa avisando que o colégio está em greve.

Na E.E. Marina Cintra, onde professores distribuíram na tarde de terça-feira bilhetes avisando sobre a paralisação, a maioria dos alunos estava em sala de aula. Como a escola é de ensino infantil, os professores não podem liberar alunos para voltar para casa sozinhos. De acordo com a direção, a adesão foi mínima e não havia sala de aula parada na manhã e tarde desta quarta-feira.

Bilhete entrege por professores aos pais avisando da adesão
à greve na Escola Estadual Marina Cintra, em São Paulo

A E.E. Pastor Paulo Leivas Macalão, na zona Norte da capital, estava completamente vazia, com crianças ocupando apenas a quadra de esportes do colégio, mas nenhuma estava trajando uniforme. A direção da escola não quis informar quantos professores trabalham na unidade nem mesmo quantos aderiram à paralisação.

Balanço

Os números de adesão à greve são divergentes. Segundo a Apeoesp, até a noite de quarta-feira, 58% dos professores de todo o Estado haviam aderido à paralisação.

Na capital, o sindicato diz que 43% dos 53.146 funcionários estariam em greve ¿ o que representaria cerca de 22 mil pessoas. Num universo de aproximadamente 1.100 escolas, a Apeoesp diz que, até a noite de terça-feira, 12 teriam aderido ¿ entre elas estão as escolas visitadas pela reportagem do iG e que estavam abertas.

Os números da Apeoesp são atualizados com relatórios enviados pelas seccionais do sindicato.

A Secretaria de Ensino, entretanto, sustenta desde segunda-feira que apenas 1% do quadro de funcionários da rede estadual teria aderido - 2.200 dos 220 mil funcionários do Estado na área de Educação. Os dados da secretaria são fornecidos pelo Departamento de Recursos Humanos do governo do Estado.

Reivindicações

Os professores da rede estadual estão reivindicando, entre outros pontos, um aumento salarial de 34,3% e a incorporação das gratificações ao salário base, criação de um plano de carreira e modificação no processo de contratação de professores eventuais.

O governo do Estado diz que não vai negociar com os grevistas. Segundo comunicados emitidos pela Secretaria de Ensino, entre 2005 e 2009, a folha de pagamentos da secretaria teria crescido 33%, indo de R$ 7,8 bilhões para R$ 10,4 bilhões - mas não especifica se neste valor estão inclusos algum aumento no quadro de professores ou se tudo foi destinado aos holerites do mesmo número de funcionários.

Sobre a incorporação das gratificações, a secretaria alega que na última semana foi  agregada a Gratificação por Atividade de Magistério (GAM) ao salário. A gratificação será incorporada em duas parcelas: a primeira, com percentual de 10%, em março deste ano; e a segunda, com percentual de 5%, prevista para março de 2011.

O sindicato reclama que esta gratificação não compensa as perdas salariais e diz que não há nenhuma perspectiva de aumento salarial até março do próximo ano para a categoria.

O sindicato pede também a revogação das leis 1041, que limita o número de faltas abonadas a seis por ano. O governo diz que a lei diminuiu em 60% o número de faltas na rede estadual.

Uma assembléia programada para a sexta-feira decidirá se os professores continuarão em greve ou não.

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