Greve de professores da rede estadual de SP tem baixa adesão no primeiro dia

SÃO PAULO ¿ A greve dos professores da rede estadual de São Paulo segue pelo segundo dia, sem data prevista para terminar. A paralisação, convocada pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), não teve adesão em massa em seu primeiro dia. De acordo com boletim divulgado pelo sindicato, paralisaram suas funções na segunda-feira em todo o Estado cerca de 30% dos professores. Balanço feito pela Secretaria de Ensino estadual apontou que apenas 1% dos docentes teria parado.

Carolina Rocha, iG São Paulo |

Na segunda-feira, o iG visitou algumas escolas das zonas Sul e Oeste da capital e constatou que em algumas os pais nem mesmo sabiam da possibilidade de greve. Não sabia que os professores iam sair em greve. Isso nunca aconteceu aqui neste colégio, diz o pai de uma aluna do ensino fundamental da escola Alberto Torres, no Butantã, que preferiu não se identificar.

A Escola Caetano de Campos, na zona Sul, foi uma das que decidiram pela paralisação. Na última sexta-feira, enquanto professores participavam de manifestação em frente à Secretaria de Ensino, no centro de São Paulo, os alunos não tiveram aula. Minha filha não teve aula na sexta e hoje (segunda) ela voltou para casa porque os professores avisaram que entraram em greve, conta a mãe de uma aluna da escola, que se identificou apenas por Maria. A filha dela tem 10 anos e ficará em casa sozinha enquanto a mãe trabalha durante esta semana sem aulas.

O trabalho de convencimento dos docentes a participar da greve está sendo feito por professores que participaram da assembléia ¿ cerca de 10 mil estiveram presentes. Mônica Severo, professora de Filosofia da escola Caetano de Campos, é uma das que está trabalhando para divulgar a paralisação entre seus colegas de trabalho, pais e alunos.

 Mônica Severo coloca o cartaz sobre a paralisação na porta da escola


Os alunos do ensino médio já entendem a nossa situação e estão aceitando bem, nos apoiando, diz. Agora estamos explicando para os pais dos alunos do ensino fundamental. Mônica dá aula para 16 turmas em dois colégios estaduais e ganha cerca de R$ 1.000,00.

Guilda Mattar, mãe de uma aluna do ensino fundamental do Caetano de Campos, apoia a professora enquanto ela expõe as causas que geraram a greve. Eu reclamo com você, se precisar. Eu brigo com vocês, diz Guilda.

 Guilda Mattar é orientada pela professora sobre a paralisação

Questionada sobre como vai fazer para cuidar de sua filha durante a semana de greve, Guilda diz não ter idéia. Eu vou ter que ficar com ela a semana inteira, não vou poder trabalhar diz a mãe, que dá aulas de dança do ventre.

Os professores da rede estadual estão reivindicando, entre outros pontos, um aumento salarial de 34,3% e a incorporação das gratificações ao salário base, criação de um plano de carreira e modificação no processo de contratação de professores eventuais.

Uma assembléia programada para a sexta-feira decidirá se os professores continuarão em greve ou não.

2º dia de greve

Funcionários e professores de mais oito escolas da rede estadual, localizadas na zona leste de São Paulo, também aderiram hoje à greve da categoria por tempo indeterminado, segundo dados do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp).

De acordo com o levantamento, as escolas da zona leste que estão com as atividades paralisadas são: Escola Estadual Milton Cruzeiro (Cidade AE Carvalho); Escola Estadual Pedro Táques (Guaianazes); Escola Estadual Fernando Pessoa (Cidade Tiradentes); Escola Estadual Carlos Henrique Liberalli (São Mateus); Escola Estadual Francisco de Assis (Cohab José Bonifácio); Escola Estadual Luis Rosa Nova (Guaianazes); Escola Estadual Fazenda do Carmo III (Guainazes); Escola Estadual Fazenda do Carmo IV (Guainazes).

Na zona norte, já estavam paralisadas a Escola Estadual Albino Cesar, na Rua Cajamar, na Vila Mazzei; Escola Estadual Silva Jardim, na Avenida Tucuruvi, no Tucuruvi; Escola Estadual Pastor Paulo Leivas Macalão, Rua Alto Sucuriu, no Jardim Peri Novo. Na Aclimação, zona sul, já estava parada também a Escola Estadual Caetano de Campos.

Segundo a Apeoesp, estão sendo aguardados os quadros de paralisação de todas as 93 subsedes da Apeoesp no Estado para a divulgação de um novo boletim.

*Com Agência Estado

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