Greve das Etecs e Fatecs de SP completa quatro semanas

Professores pedem reajuste e benefícios, como assistência saúde. Categoria faz assembleia geral no centro de São Paulo

Marina Morena Costa, iG São Paulo |

A greve de professores e funcionários do Centro Paula Souza – mantenedor das Escolas Técnicas Estaduais (Etecs) e das Faculdades de Tecnologia (Fatecs) de São Paulo – completa quatro semanas nesta sexta-feira. A categoria realizou uma assembleia geral nesta sexta-feira (10) no campus da Fatec e da Etec São Paulo, na Avenida Tiradentes, região central da capital, mas não votou sobre a continuidade da greve. Na segunda-feira (13), após negociação com o Centro Paula Souza e o Secretário de Gestão Pública, a categoria irá decidir se mantém ou não a paralisação.

Segundo o último balanço do sindicato da categoria, divulgado na quarta-feira (8), 70 Etecs e 16 Fatecs estão totalmente ou parcialmente paralisadas. A adesão é maior no interior do Estado, onde 41 Etecs têm profissionais em greve e 15 Fatecs estão com atividades comprometidas pela paralisação. O governo contesta os números e diz que a paralisação em nenhum momento superou os 20% de professores. “Hoje, essa porcentagem é de 10%”, afirma o Centro Paula Souza. No total, há 198 Etecs e 49 Fatecs no Estado.

As Etecs são as melhores escolas estaduais de ensino médio. No último Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), as dez unidades da rede mais bem colocadas eram Etecs. Fabíola Mika Tanabe, de 16 anos, está no 3º ano do ensino médio e cursa técnico em Nutrição na Etec Carlos de Campos , no Brás, centro de São Paulo. Sem aula no ensino médio regular, que aderiu totalmente a greve, ela se preocupa com Enem, que acontece em outubro deste ano. “O pessoal está com medo. Eu apoio a greve, mas estou cansada”, diz.

Marina Morena Costa
Fachada da Etec Carlos de Campos, que está sem aulas no ensino médio regular e com paralisação parcial no técnico

Outro grave problema é a falta de professores. O próprio Centro Paula Souza demonstra preocupação com a situação de “claro docente” (disciplinas sem professores) nas unidades da rede. Em documento enviado aos diretores das Etecs no dia 1º de junho, o centro alerta aos gestores para continuar “resolvendo os problemas de claro docente, atendendo as orientações já estabelecidas, ou seja, substituição, convocação por concurso, ou processo seletivo”.

Guilherme Vidal, professor da Etec Carlos de Campos há 22 anos e um dos responsáveis pela seleção de professores, conta que as atuais condições salariais não atraem bons profissionais. “Há cinco anos vinham entre 30 e 40 professores para uma vaga. Hoje não aparecem nem dez e são de nível baixo”, afirma. Na escola, faltam professores para metade das disciplinas do curso técnico em Comunicação Visual. Fabíola, aluna de Nutrição, está com duas matérias sem professor. “Fiquei até maio sem aula de ética, porque não tinha professor”, conta a estudante.

Negociação

A paralisação dos professores e funcionários das Etecs e Fatecs foi iniciada em 13 de maio, um dia após o governador Geraldo Alckmin anunciar um reajuste de 11% . O piso para professores das Etecs passou de R$ 2.000 para R$ 2.220 e nas Fatecs de R$ 3.600 para R$ 3.966, para jornadas de 40 horas semanais. Por hora de aula, isso significa um aumento de R$ 10 para R$ 11,10 nas Etecs, e de R$ 18 para R$ 20 nas Fatecs.

Marina Morena Costa
Entrada de alunos da Etec Carlos de Campos tem faixa que diz: "Circo Paula Souza, os palhaços somos nós"
A reivindicação do sindicato é um reajuste de 58,9% para professores e 71,79% para funcionários para recompor perdas salariais desde 1996. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores do Centro Paula Souza (Sintep), o reajuste concedido no período foi de 52,46% para os docentes e 41,02% para os funcionários. Mas a inflação acumulada pelo índice usado pelo Conselho dos Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp), usado como base de comparação pelos professores do Centro Paula Souza que também são de nível superior, foi de 142,27%.

Durante a negociação, o governo ofereceu um reenquadramento dos docentes e funcionários das categorias iniciais, o que significa um reajuste de 12% (além dos 11%). A medida beneficiaria 6.800 professores, 53% dos docentes. Mas a categoria quer um reajuste maior e para todos os níveis.

O Centro Paula Souza também se comprometeu a apresentar um novo plano de carreira, em 29 de julho. No entanto, os professores reclamam que o antigo plano de carreira, de 2008, sequer chegou a ser colocado em prática.

A categoria reivindica também vale transporte, vale refeição – que atualmente está no valor de R$ 4 e só é pago para quem recebe até R$ 1.200 –, assistência saúde, uma vez que os trabalhadores não têm direito a usar o hospital do servidor público e precisam usar o SUS para apresentar atestados, implantação de adicional noturno de 100% e cestas básicas, entre outras reivindicações.

O Centro Paula Souza afirma que outras reuniões, em junho e em julho, foram agendadas com representantes do Sinteps para apresentação e discussão do novo plano de carreira e de outros itens da pauta.

A última greve dos docentes e funcionários do Centro Paula Souza aconteceu em 2004 e durou 80 dias.

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