Grávida de 8 meses, fraturado e recém-operada não desistem da prova

Candidatos contornam todas as dificuldades pra fazer o vestibular da Unesp em São Paulo

Cinthia Rodrigues, iG São Paulo |

Cinthia Rodrigues/iG
Cristina B. Rodrigues, 18 anos e 8 meses de gravidez, o que não foi impedimento para fazer o vestibular da Unesp em São Paulo
A gravidez de oito meses impediu Ana Cristina Barros Rodrigues, de 18 anos, de prestar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Ela teve complicações na véspera e ficou internada por dois dias. Todos acharam que o bebê viria mais cedo, mas ela voltou para casa com o barrigão e ontem estava se sentindo bem o suficiente para prestar o vestibular da Universidade Estadual Paulista (Unesp), o primeiro dos quatro para os quais se inscreveu.

“Acho que ele pensou bem e decidiu me deixar fazer as provas primeiro, vai ser melhor para nós dois se eu passar”, diz a futura mamãe. Enquanto Luis Felipe (o nome já está escolhido) não vier, ela ainda pretende tentar uma vaga em Engenharia de Alimentos na Universidade de Campinas, Universidade de São Paulo e Mackenzie. além de Administração na Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo. “Torço para conseguir fazer todas, estudei para isso”, diz, contando que a gravidez não estava nos planos, mas não diminuiu sua concentração nos estudos. “Pelo contrário, agora sim tenho que ser responsável.”

Muletas e cadeira de rodas

Outro que teve uma surpresa, mas não desistiu da maratona de vestibulares foi Felipe Gimenez de Paula, de 18 anos, que fraturou a perna há uma semana, ao pisar em um buraco durante uma caminhada. “Foi uma coisa muito estranha, eu não estava jogando bola ou nada que pudesse ser considerado perigoso”, lembra.

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Felipe de Paula,18, faz a prova da Unesp mesmo com o pé quebrado.

De muletas, ele chegou ao campus da Uninove, onde estava inscrito para fazer a prova, trocou o acessório pela cadeira de rodas à disposição e foi fazer o teste da Unesp para tentar uma vaga em Engenharia Mecânica. “Vou ficar pelo menos um mês assim, se eu deixasse de fazer vestibular por causa disso, perderia todas as provas para as quais estou inscrito, sem chance”, comentou.

Carol Dantas, de 22 anos, também chegou de muletas, mas não quis a cadeira e preferiu subir a rampa só com o apoio. No caso dela, a dificuldade de andar veio por causa de uma cirurgia para retirada de um tumor em um nervo da perna. “Neuroma de morta se chama a doença”, explica a candidata a uma das vagas de Medicina. “Nem sei quanto tempo mais vou precisar usar as muletas, mas com certeza vou fazer pelo menos três vestibulares com elas.”

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