Fuvest: questão 7 Português

Leia o trecho de abertura de Memórias de um sargento de milícias e responda ao que se pede. Era no tempo do rei.Uma das quatro esquinas que formam as ruas do Ouvidor e da Quitanda, cortando-se mutuamente,chamava-se nesse tempo ¿ O canto dos meirinhos ¿; e bem lhe assentava o nome, porque era aí o lugar de encontro favorito de todos os indivíduos dessa classe (que gozava então de não pequena consideração). Os meirinhos de hoje não são mais do que a sombra caricata dos meirinhos do tempo do rei; esses eram gente temível e temida, respeitável e respeitada; formavam um dos extremos da formidável cadeia judiciária que envolvia todo o Rio de Janeiro no tempo em que a demanda era entre nós um elemento de vida: o extremo oposto eram os desembargadores. Manuel Antônio de Almeida. Memórias de um sargento de milícias.a) A frase ¿Era no tempo do rei¿ refere-se a um período histórico determinado e possui, também, umaconotação marcada pela indeterminação temporal. Identifique tanto o período histórico a que se refere afrase quanto a mencionada conotação que ela também apresenta.b) No trecho aqui reproduzido, o narrador compara duas épocas diferentes: o seu próprio tempo e o tempo dorei. Esse procedimento é raro ou freqüente no livro? Com que objetivos o narrador o adota?

Redação |

RESPOSTA

a) Apesar de a expressão Era no tempo do rei conotar indeterminação temporal, por aproximar-se da fase inicial característica dos contos de fadas (era uma vez) e por não trazer com clareza os anos específicos em que a história se passa, sabemos que as Memórias de um Sargento de Milícias têm sua ação transcorrida nos primeiros anos do século 19, período em que o príncipe D. João, depois D. João VI, transferiu a sede do império português para o Brasil.


b) O procedimento de comparar o tempo do rei (início do século 19) com o do narrador (meados do século 19) é frequente. Essa é uma das técnicas utilizadas pelo autor para aproximar o leitor da obra e fazê-lo mergulhar em um período que, apesar de temporariamente distante, demonstra características marcantes (e, certas vezes, atemporais) da sociedade brasileira.

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