Fundação Bienal trabalha formação de professores para a arte

Pensar diferente. Esta é a proposta que o projeto educacional da 29ª Bienal de São Paulo leva a professores de São Paulo

Carolina Rocha, iG São Paulo |

Faltam três meses para a abertura dos portões da 29ª Bienal de São Paulo e os trabalhos de divulgação do evento de arte - que será realizado entre 25 de setembro e 12 de dezembro, na capital paulista - estão a todo vapor. Um deles é educativo e oferece formação a professores para que eles utilizem em sala de aula as temáticas trabalhadas pelos artistas convidados para a mostra. A organização é da Fundação Bienal.

Oficina

Numa noite fria, Stela Barbieri, curadora da área educativa da Fundação Bienal, acompanhada de Carlos Barmak, coordenador de relações, e Helena Kavaliunas, relações externas, vai até a unidade do Morumbi da Escola da Vila, na zona sul da capital paulista, para falar sobre arte a um grupo de 78 professores.

“É muito bom ver tanta gente aqui. Nem sempre foi assim. Já houve vez de combinarmos com um grupo de 20 pessoas e, quando chegamos, só tinha três”, comenta Helena.

Com apresentação de vídeos e imagens projetados em um telão, o trio provoca os professores com perguntas como “o que isso significa para você?”. As respostas vêm tímidas no começo, mas a liberdade vai crescendo e os docentes acabam participando de maneira ativa do debate, que termina com uma oficina.

“Vocês viram que ali tinha uma bússola?”, pergunta um professor de física aos demais, ao reparar que a imagem de divulgação da exposição é composta por uma rolha, atravessada por uma agulha, boiando em tinta – materiais utilizados na criação de aparelhos de orientação improvisados em laboratórios de física.

Uma professora critica uma obra exposta na Oca há cinco anos. “Aquilo era só um copo d’água numa prateleira. Não consigo ver arte numa coisa como essa”. E assim a conversa se aprofunda sobre o que é arte e o que deve ser levado em conta ao interpretá-la.

Segundo Stela, o interesse pelas oficinas vem aumentando nos últimos anos e, desde o início de 2010, o programa educativo da Fundação Bienal tem reunido grupos de até 150 professores. Em março, por meio de uma parceria com a prefeitura de São Paulo, 5.200 professores de 13 Centros Educacionais Unificados (CEUs) participaram das formações. Além deste grupo, foram ministradas oficinas em diversos colégios públicos da região metropolitana de São Paulo e litoral e em escolas particulares.

Para orientar tanta gente, a equipe da Bienal, composta por 14 pessoas à época, foi dividida em sete grupos, que ministraram oficinas dialógicas de no mínimo de 6 horas. No momento, a equipe passou para 574 pessoas, sendo 14 coordenadores, 24 supervisores, 30 orientadores para a área de ensino a distância e 500 estagiários que atuarão na área de visita orientada à exposição.

A proposta inicial dos formadores é despertar a quebra de paradigmas, além de apresentar o trabalho dos artistas que farão parte da 29ª Bienal de São Paulo. “Nos encontros com os professores dos CEUs, fomos questionados que a arte fica só dentro dos museus, que ela não chega à periferia e acabamos nos comprometendo a levar os vídeos que passarão na Bienal a essas escolas”, diz Stela.

Outra preocupação dos formadores, que surgiu com demandas dos próprios professores, é com relação à transposição dos conteúdos para a sala de aula. Para ajudar os professores a usar o que aprenderam nas oficinas, foram criados plantões presenciais na Fundação, realizados todas as terças e quintas, e disponibilizado um fórum no site da instituição .

Até a abertura da exposição, marcada para o dia 25 de setembro para o público geral (nos dias 22 e 23 haverá apresentação especial para os professores), os formadores continuarão oferecendo oficinas. Com duração de três horas, os encontros ocorrem no auditório da Fundação Bienal.

“Se a escola tiver um grupo grande de professores interessados, podemos combinar de irmos até ela”, explica Stela.

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