Funcionários em greve fecham faculdade na USP

Escola de Comunicação e Artes amanheceu de portas fechadas, mas aulas ocorrem normalmente

Marina Morena Costa, iG São Paulo |

Funcionários da Universidade de São Paulo (USP) em greve bloquearam o prédio principal da Escola de Comunicação e Artes (ECA), no campus do Butantã, na manhã desta quinta-feira. Algumas salas de aula, localizadas dentro da unidade, ficaram inacessíveis, porém, as aulas transcorrem normalmente em outros departamentos da ECA.

Marina Morena Costa/iG
Alunas encontram prédio principal da ECA fechado
O Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) iniciou uma paralisação geral na última quarta-feira, que atinge também os principais campi do interior, Ribeirão Preto, São Carlos e Piracicaba. Serviços como restaurantes, bibliotecas, laboratórios e a Prefeitura do Campus, responsável pela administração em São Paulo, estão paralisados.

A Reitoria da USP divulgou um comunicado na última terça-feira (4) no qual afirma que não pagará os dias não trabalhados dos funcionários em greve. A universidade também conseguiu uma liminar na Justiça que estabelece multa de R$ 1 mil ao dia caso os grevistas causem transtornos, como piquetes, bloqueios de acesso, ocupações, em quaisquer dos campi e unidades isoladas da USP.

"Íamos fazer a greve de portas abertas, mas com essa ameaça de cortarem o salário dos grevistas, vamos fechar a porta para que ninguém entre, nem funcionários, alunos ou professores. Como vão descontar o ponto sem identificar quem é grevista e quem não é?", afronta Magno de Carvalho, diretor de base do Sintusp.

A reportagem do iG visitou os departamentos de Jornalismo, Publicidade e Música da ECA e apurou que as aulas estão transcorrendo normalmente. “A greve prejudica as aulas, claro. Estamos sem a parte administrativa e sem laboratórios importantes, como o de áudiovisual, mas alunos e professores dão um jeito de tocar as atividades”, afirmou um professor que preferiu não se identificar.

Alana, estudante de Publicidade, está sem laboratório de informática para finalizar trabalhos acadêmicos. “O setor de xerox também está parado. Se os funcionários deixassem abertos pelo menos o mínimo necessário para alunos e professores trabalharem, eu apoiaria totalmente a greve deles. Mas nos afeta e isso é ruim”, avalia.

Para Paula, estudante de Ciência Sociais, as reivindicações do Sintusp são válidas. “As bandeiras levantadas pelos funcionários são justas. Eles buscam uma universidade mais democrática e eu concordo com isso”. Daniel, aluno de publicidade, está levando o laptop para USP. “A professora disse que iria receber os trabalhos, mesmo com os laboratórios em greve, então a gente tem que dar um jeito de fazer.”

São Francisco

Na quarta-feira, os funcionários ameaçaram também fechar as portas da Faculdade de Direito da USP, localizada no Largo São Francisco, no centro da capital. Segundo a assessoria de imprensa da unidade as portas não foram bloqueadas e as aulas ocorrem normalmente nesta quinta-feira.

Marina Morena Costa/iG
Biblioteca da ECA também foi fechada pelos funcionários em greve
A greve

A paralisação foi aprovada em assembleia da categoria no último dia 29. Os funcionários reivindicam 16% de reposição salarial e o cumprimento da incorporação de R$ 200 ao salário-base. Os professores não participam da paralisação, pois já receberam um reajuste de 6% retroativo a fevereiro, concedido no início de março, segundo o sindicato. Os alunos vão realizar uma assembleia nesta quinta-feira, na Faculdade de Arquitetura, e devem debater se apoiam ou não o movimento dos funcionários.

No ano passado, os funcionários iniciaram uma greve geral também no dia 5 de maio que durou 57 dias e foi encerrada em 30 de junho de 2009.

No dia 9 de junho, funcionários, estudantes e professores entraram em confronto com cerca de 30 policiais militares da Tropa de Choque. Os manifestantes estavam fazendo um “trancaço”, bloqueando o acesso à universidade pelo portão 1, quando a PM chegou. A então reitora da USP, Suely Vilela, havia solicitado que Polícia garantisse o livre acesso à universidade.

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