Funcionários em greve da USP têm salário descontado

Manifestantes e reitoria devem se reunir na próxima segunda para nova rodada de negociação

Carolina Rocha, iG São Paulo |

Os 24 dias de greve dos funcionários da USP estão surtindo efeito no bolso dos manifestantes: eles tiveram os dias parados descontados de seus salários. Segundo a reitoria, a universidade havia comunicado aos grevistas no início de maio sobre o desconto e a determinação foi executada no último dia 20, quando fecham as folhas de pagamento.

Segundo o Sindicato dos Funcionários da USP (Sintusp), foram descontados os dias dos manifestantes que trabalham na prefeitura da instituição, na Coordenadoria de Assistência Social (Coseas) e na reitoria, que são subordinados diretamente à administração central da USP. Os demais funcionários, que respondem às diretorias das faculdades, tiveram suas faltas abonadas pelos diretores.

“Isso demonstra que temos o apoio das diretorias", afirma Magno de Carvalho Costa, diretor de Base do sindicato. "Ontem (quinta-feira) recebemos também o apoio das congregações da ECA (Escola de Comunicação e Arte), FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) e da Física”, completa.

A reitoria, por meio de sua assessoria de imprensa, afirma não ter sido comunicada sobre qualquer falta abonada e que o desconto teria sido aplicado a todos os funcionários faltosos.

Negociação

Está programado para a próxima segunda-feira um encontro entre a reitoria e representantes do sindicato para uma nova negociação. “Pretendemos dialogar aqui sobre os problemas específicos da USP, como o desconto no ponto, entre outras questões. Mas queremos também a reabertura da negociação com o Cruesp (Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas) para conseguirmos os 6% de aumento que faltam, que foram concedidos aos professores no começo do ano e não para os demais funcionários”, afirma Costa.

As reivindicações sâo abrangentes aos funcionários da USP, Unesp e Unicamp. Na última quarta-feira, cerca de 400 manifestantes invadiram o prédio da reitoria da Universidade de Campinas e algumas unidades da Unesp também registraram paralisações.

Os funcionários reivindicam reajuste de 16% e a incorporação de R$ 200 ao salário-base e rejeitam o aumento de 6,57% oferecido pelo Cruesp em 24 de maio. Segundo comunicado emitido pela Unicamp, cujo reitor, Fernando Costa, é o presidente do Cruesp, o aumento oferecido “situa-se 1,5% acima da inflação medida pelo IPC-Fipe no período de maio de 2009 a abril de 2010 e corresponde ao limite de comprometimento orçamentário das três instituições”.

De acordo com a Unicamp, as negociações devem prosseguir, agora, no âmbito da pauta específica de cada universidade. Independentemente do resultado da reunião com a reitoria da USP na segunda, o sindicato planeja uma manifestação pelas ruas de São Paulo, mas não tem ainda planos para novos atos em Campinas, na sede da Unicamp.

Multa

Antes mesmo de a paralisação começar, em 4 de maio, a USP teve concedida pela Justiça uma liminar que estabelece multa de R$ 1 mil ao dia caso os grevistas causem transtornos, como piquetes, bloqueios de acesso, ocupações, em quaisquer dos campi e unidades isoladas da USP.

Para o diretor do sindicato, a multa não é um problema. “Nossos advogados vão cuidar disso e não vai ser a multa que vai nos impedir de batalhar pelos nossos direitos”.

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