Grevistas invadiram o prédio munidos de picaretas e marretas na manhã desta terça-feira

Após o fracasso nas negociações entre reitoria e o Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) na semana passada, manifestantes acampados na instituição desde o dia 5 de maio invadiram o prédio da reitoria na manhã desta terça-feira.

Segundo a assessoria de imprensa da reitoria, as dependências foram invadidas por funcionários, alunos e pessoas de fora da instituição, munidas de marretas e picaretas. O prédio, que estava vazio desde o início da paralisação, teve vidros quebrados e paredes depredadas. Alguns manifestantes estavam usando capuzes para não serem identificados.

Manifestantes encapuzados invadiram a reitoria com picaretas e marretas
AE
Manifestantes encapuzados invadiram a reitoria com picaretas e marretas
A reitoria diz que não pretende chamar a Polícia Militar para remover os manifestantes de suas dependências.

De acordo com o diretor de base do sindicato, Magno de Carvalho Costa, 500 manifestantes teriam invadido o prédio e não devem sair até que os valores descontados dos salários de mais de 1000 funcionários, referentes aos dias parados, sejam reembolsados. “Muito mais violento que derrubar paredes é fazer os trabalhadores passarem fome. Eles descontaram dos menos favorecidos, dos que trabalham na prefeitura da USP. Esse pessoal é o que ganha menos na universidade”, diz o sindicalista.

Na última semana, representantes da reitoria da USP e do Sintusp reuniram-se quatro vezes para negociar, mas os funcionários não aceitaram as propostas da reitoria , que exigia a retomada das atividades na universidade como pré-requisito para atender qualquer ponto da pauta. “Não vamos suspender a greve sem negociar o aumento igual ao que os professores receberam no começo do ano”, afirmou Carvalho Costa na quarta-feira passada, logo após a última reunião.

Os funcionários da USP, Unesp e Unicamp querem um aumento de 6% nos salários, equivalente ao recebido pelos professores destas instituições no início do ano, garantindo a isonomia entre as funções. O reajuste precisaria ser autorizado pelo Cruesp, que é presidido pelo reitor da Unicamp, Fernando Costa.

Em comunicado enviado no final do mês passado, a Unicamp informou que os aumentos concedidos aos funcionários no último ano, mesmo que menores que os dados aos professores, eram acima da inflação. Segundo a universidade, as negociações deveriam prosseguir no âmbito da pauta específica de cada instituição.

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