Funcionários da USP entram em greve

Movimento promete fechar a faculdade de Direito e a ECA; universidade afirma que não pagará dias parados e pode multar grevistas

Marina Morena Costa, iG São Paulo |

Os funcionários da Universidade de São Paulo (USP) iniciaram na manhã desta quarta-feira uma greve geral. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), a capital e os campi de Ribeirão Preto, São Carlos e Piracicaba pararam neste dia 5 de maio. Em São Paulo, serviços como restaurantes, bibliotecas, laboratórios e a Prefeitura do Campus, responsável pela administração, estão paralisados.

Na terça-feira (4), a reitoria da USP divulgou comunicado no qual afirmava que “não haverá pagamento dos dias não trabalhados”. A universidade também conseguiu uma liminar na Justiça que estabelece multa de R$ 1 mil ao dia caso os grevistas causem transtornos, como piquetes, bloqueios de acesso, ocupações, em quaisquer dos campi e unidades isoladas da USP.

Os funcionários realizaram uma assembleia geral, por volta das 12h, em São Paulo, e decidiram "radicalizar o movimento", em resposta à reitoria. "Vamos fechar os prédios das unidades da USP. A faculdade de direito (Largo São Francisco) e a ECA (Escola de Comunicação e Artes) vão fechar as portas a partir de amanhã. Essa postura do reitor (João Grandino) Rodas vai radicalizar muito o movimento, pois a ameaça veio antes mesmo da greve começar”, afirma Magno de Carvalho, diretor de base do Sintusp.

Segundo Carvalho, a estratégia da reitoria sofreu efeito inverso, pois "aumentou a mobilização e radicalizou o movimento". "Íamos fazer a greve de portas abertas, mas com essa ameaça de cortarem o salário dos grevistas, vamos fechar a porta para que ninguém entre, nem funcionários, alunos ou professores. Como vão descontar o ponto sem identificar quem é grevista e quem não é?", questiona Carvalho. De acordo com o Sintusp, a adesão à greve nesta quarta-feira foi "superior a 50%".

A assessoria de imprensa da USP não tem números para confrontar a estimativa do sindicato, mas confirma a paralisação de setores como Prefeitura do Campus (com 400 funcionários), Antiga Reitoria, Coordenadoria de Assistência Social e restaurantes (com cerca de 200 funcionários). No entanto, afirma que a greve não afeta as atividade e que a universidade está "funcionando normalmente". Sobre a possibilidade dos grevistas fecharem as portas das unidades, a USP diz que se valerá da liminar concedida pela Justiça.

A greve foi aprovada em assembleia da categoria no último dia 29. Os funcionários reivindicam 16% de reposição salarial e o cumprimento da incorporação de R$ 200 ao salário-base. Os professores não participam da paralisação, pois já receberam um reajuste de 6% retroativo a fevereiro, concedido no início de março, segundo o sindicato. Os alunos vão realizar uma assembleia na quinta-feira, na Faculdade de Arquitetura, e devem debater se apoiam ou não o movimento dos funcionários.

Em 2009

No ano passado, os funcionários iniciaram uma greve geral também no dia 5 de maio que durou 57 dias e foi encerrada em 30 de junho de 2009.

No dia 9 de junho, funcionários, estudantes e professores entraram em confronto com cerca de 30 policiais militares da Tropa de Choque. Os manifestantes estavam fazendo um “trancaço”, bloqueando o acesso à universidade pelo portão 1, quando a PM chegou. A então reitora da USP, Suely Vilela, havia solicitado que Polícia garantisse o livre acesso à universidade.

Bombas de efeito moral e balas de borracha foram usadas contra os manifestantes, que respondiam com pedras na direção dos policiais, transformando as ruas da USP em praça de guerra.

Após o confronto, a greve ganhou o apoio dos professores e de outras unidades do interior.

* Atualizada às 17h05 de 05/05/2010

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