Funcionários da USP e Unicamp suspendem greve

Na Universidade Estadual Paulista (Unesp), no entanto, greve de funcionários continua

Carolina Rocha, iG São Paulo |

Os funcionários da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) decidiram suspender a greve que durava quase dois meses. Na Universidade Estadual Paulista (Unesp), no entanto, a paralisação continua.

A assembleia dos grevistas da USP foi realizada na tarde desta quarta-feira, em frente ao prédio da reitoria, e decidiu pelo fim da paralisação. Mesmo sem terem conquistado a garantia da mudança na faixa de referência na carreira, que renderia um aumento de 5% nos salários, os manifestantes acharam melhor finalizar a greve devido ao enfraquecimento que o movimento sofreria na próxima semana.

"Mais de 40% dos funcionários saem em férias em julho, além disso, tem as férias dos estudantes. Não tem paralisação se não tem o que paralisar", destaca o diretor de base do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), Magno de Carvalho Costa.

No acordo, fica acertado que os representantes dos servidores e da reitoria se encontrarão na próxima segunda-feira para continuar a negociação referente à promoção dos funcionários, entre outros assuntos da pauta interna da universidade. Fica acordado também que os funcionários que tiveram seus salários descontados durante os meses de maio e junho serão reembolsados na terça-feira e as faltas retiradas.

A votação sobre o acordo demorou mais de duas horas para ser iniciada, pois os manifestantes discordavam de um termo utilizado no texto, que poderia comprometer o emprego dos que participaram da ocupação da reitoria e dos demais prédios fechados durante estes 57 dias de greve.

O 3º item da proposta dizia que  não haveria "punição decorrente das atividades relacionadas ao movimento de mera greve", o que excluiria aqueles que tiveram participação de atos além das faltas ao trabalho.

Por meio de ligações telefônicas com os representantes da reitoria, os servidores em greve conseguiram chegar ao acordo de que nenhum funcionário seria punido pelas "atividades relacionadas ao exercício do direito de greve".

Leia a proposta da comissão de negociação:

"Proposta de acordo de fim de greve

 1 – Encerrada a paralisação e retomadas as atividades normais da universidade, a reivindicação de concessão de 01 referência (5%) na carreira dos servidores técnico-administrativos e demais benefícios, será examinada durante as negociações da Pauta Específica;

2 – O pagamento dos salários descontados correspondentes aos dias não trabalhados em virtude da paralisação, referentes aos meses de maio e junho, será realizado em até quatro (04) dias úteis após o encerramento da paralisação, em Folha Avulsa, mediante compromisso de reposição do trabalho não realizado, comprovado pelas chefias;

3 - Não haverá punição decorrente das atividades relacionadas ao movimento de mera greve; (o parágrafo foi modificado posteriormente, após negociação por telefone entre sindicalistas e representantes da reitoria, para: "Não haverá punição decorrente das atividades relacionadas ao exercício do direito de greve")

4 - As negociações da Pauta Específica terão início no dia 5 de julho do corrente ano."

Reforço na segurança

Depois de invadir a reitoria, fazer piquetes em frente às três creches que atendem os filhos dos servidores da universidade (impedindo a entrada das crianças), paralisar o bandejão, entre outros prédios da Cidade Universitária, o Sintusp afirmou no início da seman a que se não houvesse acordo o foco dos grevistas seria o Centro de Computação Eletrônica (CCE), prédio que concentra todo o processamento de dados da USP.

O aviso foi levado a sério pela reitoria, que na segunda-feira registrou boletim de ocorrência e chamou a Polícia Militar para fazer uma verificação preventiva do que tem no prédio. “Ninguém acredita que as ações poderão chegar a uma invasão ou coisa pior do CCE, mas o papel do administrador público é prevenir. Pelo o que eles demonstraram quando invadiram a reitoria com picaretas, machados, eles são capazes de coisas incríveis", afirmou o reitor da USP, João Grandino Rodas, na terçca-feira, ao iG.

Carolina Rocha, iG São Paulo
Viaturas voltam para fazer segurança do CCE
Na manhã desta quarta, a Polícia Militar foi novamente acionada e enviou oito viaturas para o CCE, mas, com a aceitação do acordo proposto, não foi necessária a atuação da polícia.

Retorno ao trabalho

Os funcionários da capital retomam o trabalho nesta quinta-feira, mas os do interior devem voltar apenas na sexta. "Precisamos dar tempo para levar a proposta para eles, o que foi aceito em assembleia. A decisão das unidades do interior não deve ser diferente da nossa, mas não podemos impor a nossa vontade a eles", explica Magno de Carvalho Costa.

A reitoria deve ser desocupada nesta quinta-feira. "Vamos propor para a reitoria fazer uma comissão mista com a gente para fazer o levantamento do estado do prédio. Nós nos responsabilizamos em arrumar a parede e a porta que danificamos na ocupação, mas não vamos nos comprometer com danos que não tenham sido causados por nós, como no ano passado, quando entraram no final de semana, depois que tinhamos arrumado tudo, deixado em perfeito estado. Não vamos mais cair nessa", diz o diretor do sindicato.

Unicamp

Na Unicamp, a greve também foi suspensa após reunião entre a reitoria e o Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp (STU).

Leia comunicado da Unicamp:

"Em resposta ao ofício enviado no dia 28 de junho pelo Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp, a reitoria da Unicamp comprometeu-se a:

1) Não promover demissões em razão dos dias parados durante a greve da categoria.

2) Pagar integralmente os salários de junho.

3) Substituir as faltas injustificadas por faltas justificadas.

Demais itens serão tratados durante a discussão da pauta específica da categoria, a ser agendada na primeira quinzena de julho."

Greve

Os funcionários da USP, Unesp e Unicamp iniciaram greve no dia 5 de maio pedindo a isonomia entre os salários deles com o dos professores. Segundo os manifestantes, a isonomia foi quebrada quando o Conselho de Reitores das Universidades de São Paulo (Cruesp) concedeu aos professores das instituições um aumento de 6%, além de bonificação de R$ 500, o qual não foi estendido aos demais funcionários das universidades.

No início das negociações, os funcionários pediam 16% de aumento, além de R$ 200 nos salários. Depois de enfrentar resistência dos reitores para retomar as negociações, reduziram para 6%.

Em 18 de junho, após a resistência nas negociações, os servidores da USP passaram a pedir a promoção dos funcionários da instituição para uma faixa superior, o que garantiria um aumento salarial de 5%, além do pagamento dos dias parados.

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