Formação de engenheiros pode ampliar inovação

Indústria carece de profissionais investimentos em pesquisa e desenvolvimento para apresentar produtos e soluções inovadoras

Agência Brasil |

Brasília – Economista com experiência na área industrial e tecnológica, Carlos Américo Pacheco , professor da Universidade de Campinas (Unicamp) defendeu nesta quinta-feira (27) o alinhamento da política econômica com a agenda da inovação. Ele destacou que a inovação é um ato essencialmente econômico.

“As empresas inovam para competir no mercado, não porque os governos querem. Há um diagnóstico atual de que é preciso criar a cultura da inovação nas empresas, mas esse não é o principal problema”, disse em palestra na 4ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação.

Na sessão plenária para discutir o papel da inovação na agenda empresarial, a conclusão é de que os investimentos em pesquisa e desenvolvimento do Brasil ainda é pequeno, na comparação com os demais países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), mesmo tendo aumentado para 1% do Produto Interno Bruto (PIB) – a soma dos bens e serviços produzidos no país - nos últimos anos.,

Outros desafios apontados foram o cenário econômico com instabilidade no câmbio, altos juros e pesada carga tributária. De acordo com Pacheco, uma das maiores dificuldades encontradas pelos empresários que já têm a cultura da inovação como uma prática é a carência de profissionais capacitados.

“A formação em ensino superior no Brasil ainda é baixa. Faltam profissionais formados nas áreas de ciências em geral, mas faltam, principalmente, engenheiros.”

O diretor do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento (Cenpes) da Petrobras, Carlos Tadeu da Costa Fraga, disse que um ponto fundamental para o desenvolvimento da inovação nas empresas é fortalecer a engenharia.

Segundo ele, há postura de empreendedorismo entre os pesquisadores brasileiros, quesito também importante no cenário do desenvolvimento científico e tecnológico, mas o fator técnico é uma carência histórica no país. Ele também defendeu investimentos na educação básica.

Fraga lembrou que, com 1,6 mil profissionais dedicados à pesquisa científica e tecnológica, a Petrobras investiu nos últimos três anos US$ 2,5 bilhões em pesquisa e desenvolvimento. Ele disse que as instituições de pesquisa e universidades brasileiras são as principais parceiras da empresa no processo de inovação. O foco da estatal não está só em petróleo e gás, segundo o diretor do Cenpes.

“Temos dois eixos complementares que são os biocombustíveis e outras fontes de energia renovável”, afirmou.

Representando a iniciativa privada na plenária, o presidente da Siemens no Brasil, Adilson Primo, afirmou que a geração da inovação depende, fundamentalmente, das empresas. Ele apresentou dados comparativos que mostram o aumento do volume de produtos de alto valor agregado na pauta de exportação dos países que ampliaram o investimento em pesquisa e desenvolvimento, como a Alemanha e o Japão. Com atuação na área de engenharia eletrônica, a empresa, de origem alemã, direciona sua produção majoritariamente ao desenvolvimento de equipamentos e sistemas de energia elétrica.

Ele ressaltou que as multinacionais são as empresas que mais investem em ciência e tecnologia nos países desenvolvidos. Segundo ele, essas empresas têm investido massivamente nos parques industriais e tecnológicos de países do Bric. “Para aumentar nosso nível de inovação [do país], precisamos de uma política pública que aproveite essa janela de produtividade”.

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