Festa na divulgação de vestibular da UnB termina em confusão

Integrantes do Diretório Central dos Estudantes tentaram proteger calouros de trote e terminaram brigando com colegas

Priscilla Borges, iG Brasília |

Um momento de festa e alegria para milhares de estudantes e seus familiares terminou de forma nada agradável: a divulgação dos aprovados no vestibular da Universidade de Brasília terminou em brigas e com uma aluna hospitalizada. Nesta sexta-feira, centenas de candidatos compareceram à universidade para conferir a lista de aprovados afixada nos corredores. Mais uma vez, os trotes dados por veteranos  nos calouros foram o motivo da confusão.

UnB Agência/ Divulgação
Ovos, tinta e farinha marcaram a festa de divulgação dos aprovados no vestibular
Há algumas semanas, estudantes do curso de agronomia foram criticados pelas “brincadeiras” que fizeram com os colegas aprovados no último semestre . Além da tradicional sujeira de tinta, farinha e ovos, os calouros tiveram de lamber uma lingiuiça coberta de leite condensado. O trote, condenado internamente pela universidade, foi alvo de representação do Ministério Público Federal e da Secretaria de Políticas para as Mulheres .

Depois da polêmica, estudantes que fazem parte do movimento estudantil na UnB, do Diretório Central dos Estudantes, decidiram iniciar campanhas contra os ritos sujos e violentos desde a aprovação. No dia 31 de janeiro, durante a divulgação dos resultados do Programa de Avaliação Seriada (PAS) – seleção destinada só aos alunos do ensino médio, que fazem provas nas três séries – eles tentaram proteger os aprovados dos ovos e da tinta. Nesta sexta-feira, fizeram a mesma coisa com os selecionados pelo vestibular. Sem sucesso nas duas tentativas.

Os veteranos que se prepararam para receber os novos calouros – que optaram por conferir os resultados na própria UnB e não em casa – com ovos, tinta, bebida alcoólica e farinha não gostaram nada do “bloqueio” feito pelos integrantes do DCE. Munidos de guarda-chuvas, eles tentaram criar uma parede para proteger os candidatos do vestibular, o que não foi visto pelos colegas com bons olhos. No fim, veteranos agrediram-se. Os integrantes do DCE viraram alvo dos ovos e de palavrões. Calouros ficaram assustados.

UnB Agência/Divulgação
Estudante Augusto Botelho protestava contra o trote sujo e violento quando levou um soco na boca
O estudante de artes visuais Augusto Botelho, 19 anos, tentou pedir calma aos colegas veteranos e ganhou um soco na boca. Ele era um dos integrantes que protestava contra os trotes sujos durante a divulgação dos resultados. Uma outra aluna – que não era caloura – recebeu uma jorrada de vinagre de um veterano. Indignada, deu um tapa no rosto do rapaz. Além das agressões e discussões, uma caloura do curso de estatística precisou ser socorrida, após passar mal por excesso de bebida alcoólica.

Providências

Com a polêmica e a cobrança de explicações após o trote da agronomia, o reitor José Geraldo de Sousa Júnior formou uma comissão de professores e uma ouvidora da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres para apurar o ocorrido . Na próxima semana, o grupo iniciará os trabalhos. Em 30 dias, eles terão de identificar agressores, ouvi-los e determinar punições. O julgamento será feito de acordo com regimentos da instituição, que prevêem de advertência à expulsão, dependendo do caso.

nullO reitor da UnB disse ao iG que a intenção da universidade sempre foi promover campanhas educativas em relação ao tema. Porém, ele acredita que os estudantes precisam entender que “há limites” para as práticas, que não podem violar a dignidade das pessoas ou incorrer em delitos. Ele acredita que as polêmicas se estabeleceram na UnB porque esse tipo de situação – os trotes sujos e até violentos, que sempre existiram – estão sendo mostrados.

“Estamos liderando um grande debate sobre as atitudes universitárias. O núcleo desse confronto de ontem (sexta-feira) mostra que a posição do DCE e de grande parte da comunidade vai contra um núcleo resistente em mudar as práticas”, afirmou. Para ele, é importante ver que o movimento estudantil organizado possui a ideia de que o acolhimento dos calouros tem de ser feito de maneiras mais festivas e lúdicas, sem humilhação. Para José Geraldo, o episódio mostra que “o movimento mais civilizatório está prevalecendo”.

* Com informações da Agência UnB

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