Consultoria cria site para traduzir informações de índice que avalia qualidade de ensino nas escolas e planejar planos de correção

Desde a criação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) em 2007, professores e gestores de todo o País se deparam com números que pretendem mostrar se o ensino praticado nas escolas públicas brasileiras é eficiente ou não. A cada dois anos, esses profissionais tentam observar o que as notas traduzem e como podem melhorar o próprio rendimento. Nem todos, no entanto, conseguem decifrar esses números.

Pensando nisso, o professor de geografia Alexandre Augusto de Oliveira decidiu dar uma mãozinha aos docentes e gestores dos municípios brasileiros. Ele, que sempre gostou de criar estatísticas e utilizar os dados para melhorar o próprio trabalho, montou uma consultoria há dois anos para oferecer relatórios e informações detalhadas e organizadas para gestores educacionais. Agora, criou uma ferramenta pública com os dados do Ideb.

A nota do Ideb é calculada a partir dos conhecimentos adquiridos pelos estudantes em provas de português e matemática, aplicadas na 4ª e na 8ª séries, e do quanto eles conseguem avançar nos estudos. Para isso, são usados os resultados da Prova Brasil e as taxas de aprovação (quantos alunos conseguiram passar de ano em cada série). O índice varia de 0 a 10, sendo que 6 é considerado o parâmetro para um ensino de qualidade.

É possível identificar, por exemplo, que mais estudantes foram reprovados no Rio no ano passado em quase todas as séries
Reprodução
É possível identificar, por exemplo, que mais estudantes foram reprovados no Rio no ano passado em quase todas as séries
Pelo site , é possível entender de forma simples o quanto cada um influenciou a nota da escola ou da rede. As informações são as mesmas divulgadas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) em inúmeras e enormes tabelas de Excell. Porém, estão organizadas de modo que um gestor consiga saber, por exemplo, em quantas escolas os estudantes conseguiram aprender o mínimo exigido para a série em matemática ou português.

“Há uma riqueza muito grande de informações pedagógicas nessas avaliações externas. Mas esses dados acabam sendo subutilizados pela comunidade escolar. O Ideb se tornou um indicador muito importante e seu mérito é reconhecido internacionalmente. Mas a divulgação dessas informações para os municípios e escolas ficou pobre”, acredita. Alexandre e seu sócio na consultoria Meritt decidiram criar uma ferramenta para aproveitar esses dados.

Pela “militância educacional”

Segundo Alexandre, a proposta é manter o site funcionando gratuitamente. No site, é possível fazer filtros de pesquisa e até gerar planos de metas educacionais para corrigir problemas das escolas. “Nossa consultoria presta serviços de gestão desses dados. Mas a ferramenta do Ideb tem o objetivo de promover apropriação das informações. Queremos que os professores e os gestores tenham instrumentos para orientar de forma correta o próprio trabalho”, defende.

No futuro, Alexandre pretende conseguir cruzar os dados do Ideb com outros que podem ser ainda mais interessantes para compreender as realidades das escolas e das redes, como os do Censo Escolar. Além disso, a consultoria pretende criar possibilidades de fóruns de debates sobre recortes nas informações. A ferramenta agora permite inclusive que os internautas a divulguem em redes sociais. Os relatórios produzidos podem ser impressos também.

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