Federais querem atualizar perfil dos universitários

Pesquisa será realizada com 22 mil alunos este mês para avaliar possíveis mudanças após expansão. Último estudo tem seis anos

Priscilla Borges, iG Brasília |

As universidades federais do País terão de cumprir uma tarefa nada fácil até dezembro: traçar o perfil de seus estudantes, aplicando questionários e tabulando dados. Pela terceira vez, o Fórum Nacional de Pró-Reitores de Assuntos Comunitários (Fonaprace) vai realizar uma pesquisa em todas as 59 instituições federais de ensino superior a fim de conhecer quem são seus estudantes. Até 5 de dezembro, os questionários de 56 perguntas terão de ser aplicados a 22.665 universitários em todo o Brasil.

Segundo o coordenador nacional do Fonaprace, Valberes Bernardo do Nascimento, pró-reitor de Assuntos Estudantis da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), será feita uma força-tarefa para que os dados sejam analisados e o estudo concluído antes do fim do ano. “Com o retrato dos nossos estudantes poderemos estabelecer as políticas nacionais de assistência estudantil com propriedade”, afirma. A pesquisa será financiada pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes).

Apenas estudantes de graduação presencial farão parte da amostra definida pelo Fonaprace. Nascimento afirma que a restrição se dá por conta do perfil ajudado nas políticas de assistência. “Eles são o alvo, então são eles que precisamos conhecer”, diz. Uma equipe de estatísticos determinou o tamanho da amostra, que representa 3,45% do total de estudantes que frequentam cursos presenciais nas 59 federais brasileiras, 656.884 universitários.

“Com essa amostra, será possível conhecer o perfil dos estudantes em nível nacional, regional e estadual. Só não conseguiremos ter o retrato de cada instituição”, esclarece. Segundo o coordenador, as perguntas se dividem em alguns temas: dados pessoais (idade, cidade de nascimento), antecedentes escolares (em que tipo de escola estudaram), informações sobre a família (renda e escolaridade dos pais), vida acadêmica atual, expectativas profissionais e em relação ao curso e culturais. Os participantes do estudo contarão, por exemplo, se lêem jornais, com que frequência e quais são os escolhidos para a leitura.

Mudanças de perfil

O Fonaprace espera mudanças no perfil dos universitários brasileiros. Os pró-reitores participantes do Fórum acreditam que os mitos quebrados na última pesquisa, realizada em 2004, serão acentuadas nessa nova edição do estudo. “Com as políticas de inclusão e de expansão das universidades, as características reveladas em 2004 devem ter se acentuado. É isso que queremos saber: o que essa expansão mexeu no perfil”, afirma o pró-reitor da UFRPE.

No último estudo, Nascimento diz que “mitos foram quebrados”. “Achava-se que apenas os filhos dos ricos estivessem nas federais. A pesquisa mostrou que isso não era verdade. À época, 43% da amostra de 34 mil estudantes tinham renda familiar mensal de até R$ 927. Isso significa que as classes populares estavam sim representadas nas universidades federais”, ressalta.

Os estudos do Fonaprace têm servido de base para definir as ações do Plano Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes), criado em 2007 pelo Ministério de Educação. O plano auxilia a permanência de estudantes de baixa renda nas federais, traçando programas de suporte à moradia estudantil, alimentação, transporte, saúde, inclusão digital e apoio pedagógico.

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