Falta treinamento para educação infantil

Especialistas criticam formação inicial dos professores que trabalham na primeira etapa da educação básica

Priscilla Borges, iG Brasília |

Os professores que trabalham hoje nas salas de aula de creches e pré-escolas de todo o País não estão preparados para os desafios específicos da educação infantil. Essa é a opinião de diferentes especialistas que participaram nesta segunda-feira de seminário promovido pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Ministério da Educação sobre a qualidade da educação infantil.

Para a pesquisadora da Fundação Carlos Chagas Maria Malta Campos, os professores que atuam nessa fase aprendem muito pouco sobre o trabalho específico da educação infantil durante o curso de graduação. “Eles precisam aprender a lidar com as especificidades e têm de continuar a formação. A supervisão é outro ponto muito frágil da educação infantil. As equipes das secretarias são pequenas e não conseguem visitar as escolas para acompanhar o trabalho dos professores”, analisa.

Sharon Lynn Kagan, do Teachers College da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, lembrou que os programas de ensino – que ela considera tão importantes quanto o tamanho das turmas, a quantidade de alunos em sala de aula e a qualificação dos professores – precisam respeitar as crianças. Isso significa valorizar as necessidades específicas delas.

“Não adianta garantir acesso. O ensino precisa ser de qualidade”, afirma Sharon. Na opinião da professora, a pesquisa divulgada no seminário, intitulada Educação Infantil no Brasil: avaliação qualitativa e quantitativa, deve ser analisada com cuidado pelos gestores, professores e sociedade em geral. “Em primeiro lugar, a qualidade de ensino para as crianças pequenas é baixa. Cerca de 70% delas estão em ambientes inadequados e isso pode comprometer o desenvolvimento deles”, alerta.

A professora Sônia Kramer, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), ressaltou que o País precisa enfrentar as tensões da gestão escolar, criar políticas públicas que incentivem a formação e promover o trabalho conjunto de professores da educação infantil e do ensino fundamental. “É preciso garantir transição muito mais do que articulação entre as etapas”, afirma.

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