Faculdades desenvolvem jogos de simulação com ajuda de estudantes

Alunos de cursos de tecnologia ajudam a elaborar softwares que simulam a gestão de empresas

Marina Morena Costa, iG São Paulo |

Um ambiente virtual no qual o estudante de hotelaria pode simular a gestão de um hotel por 10 anos em apenas seis meses. O preço da tarifa, o gasto com marketing, manutenção, recursos humanos, compra de alimentos, tudo é escolhido em um jogo de simulação no qual acertos refletem em lucros e erros em prejuízo.

O primeiro simulador de gestão de hotelaria criado pelo Centro Universitário Senac de São Paulo foi desenvolvido com a ajuda de estudantes dos cursos de Sistema de Informação e Tecnologia em Jogos Digitais. Até então, o professor registrava as decisões dos alunos em planilhas do Excel em um processo demorado.

“A partir das regras do jogo, que eram bem claras e definidas, alunos estagiários e professores do centro universitário criaram a mecânica do simulador”, conta Fabio Lubacheski, coordenador do curso Tecnologia em Jogos Digitais. O objetivo era montar um jogo próximo à realidade para consolidar a teoria com a aplicação prática.

Com 50 opções de hotéis de diferentes padrões – de uma estrela até um resort luxuoso –, todos localizados no Estado de São Paulo, o jogo permite que o estudante teste no ambiente virtual o que irá fazer na prática, depois de formado. “Na vida real, um erro aparece dois ou três anos depois. No jogo, o aluno tem este retorno em semanas”, destaca Lubacheski. Os jogadores recebem relatórios técnicos e ao final do curso apresentam e justificam as decisões de sua gestão.

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Jogo de hotelaria desenvolvido pelo Senac faz com que estudante simule a gestão de um hotel por 10 anos


Day Dilson da Silva Tenório, 22 anos, aluno do 6º semestre de Sistema de Informação, foi um dos estudantes envolvidos na elaboração do jogo virtual. “Tivemos dificuldade, porque era uma área diferente e foi preciso entender as regras”, conta. Mas no final, os alunos ajudaram os professores a aperfeiçoar o jogo, distribuindo melhor os pesos e algumas decisões, evitando que houvesse uma estratégia mais fácil para ganhar ou ser um gestor bem sucedido.

O jogo começa a ser trabalhado em sala de aula no próximo semestre e pode ser o primeiro de uma série de simuladores desenvolvidos dentro da instituição – até então os jogos eram encomendados e comprados de empresas especializadas. Segundo o coordenador de Jogos Digitais, gastronomia deve ganhar um simulador de logística e administração de restaurantes.

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Aluno toma todas as decisões na gestão do hotel: o preço das tarifas é uma delas
Aprendizagem vivencial

Professor e pesquisador de jogos de empresa há 25 anos, Antonio Carlos Aidar Sauaia, da Faculdade de Administração da Universidade de São Paulo (USP), também conta com a ajuda de alunos de outros cursos (Contabilidade, Economia e Tecnologia), bolsistas em iniciação científica, para aperfeiçoar o simulador da faculdade.

A partir das regras definidas no livro de autoria do professor, os estudantes gerenciam uma empresa fabricante de um pequeno eletroeletrônico por dois anos. Ao final do curso, todos produzem um artigo científico sobre a gestão e suas decisões. “Mais do que um conhecimento memorizado, cria-se um conhecimento sistêmico, porque integra todas as disciplinas, e dinâmico, porque vai sendo construído ao longo do jogo”, avalia Sauaia.

A cada aula, o professor introduz problemas, oportunidades ou ameaças. Informações sobre a situação da economia do País e do mundo, governo, fornecedores, sociedade e a preocupação com a sustentabilidade são desafios que os alunos incorporam ao jogo.

Sauaia destaca o protagonismo do estudante na metodologia dos simuladores, mas lembra que é preciso bons professores acompanhando o processo e aprendendo junto. “Sem orientação, o aluno não constrói relações de causa e efeito. É uma competição saudável, que precisa ser estimulada e conduzida pelo educador.”

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