Objetivo é atrair empresas de alta tecnologia para regiões próximas a universidades

Uma coalizão de 28 universidades americanas decidiu apoiar um plano para construir redes de altíssima velocidade – com serviço de internet centenas de vezes mais rápido do que aquele que é oferecido comercialmente – nas comunidades em torno das instituições participantes.

Universidade do Arizona é uma das 28 que formam coalizão por redes rápidas
The New York Times
Universidade do Arizona é uma das 28 que formam coalizão por redes rápidas
O projeto, chamado GigU, foi anunciado oficialmente na quarta-feira, dia 27, e tem por objetivo atrair novas empresas de alta tecnologia em áreas como saúde, energia e telecomunicações para as regiões perto das universidades, muitas das quais ficam no Centro-Oeste ou fora das grandes cidades. Essas zonas funcionariam como pólos para a construção de uma nova geração de redes mais rápidas que poderiam tornar os Estados Unidos mais competitivos internacionalmente.

Por enquanto, o plano ainda está em andamento, com as universidades oferecendo negócios e pedindo soluções a empresas de telecomunicações, corporações e organizações sem fins lucrativos. As instituições envolvidas incluem a Universidade do Estado de Arizona, a Universidade Case Western Reserve, a Universidade Howard, a Universidade Duke, a Universidade de Michigan, a Universidade de Washington e a Universidade de Chicago.

''Nós não estamos pedindo dinheiro do governo'', disse Blair Levin, do Instituto Aspen, que está dirigindo o projeto. "Acreditamos que a abordagem correta é obter fundo para as redes no setor privado".

Através da oferta de conexões de um Gigabit de rede – velocidade suficiente para baixar filmes em alta definição em menos de um minuto – não apenas para pesquisadores científicos e engenheiros, mas para as casas e os negócios em torno das universidades, o grupo pretende criar um ecossistema digital que irá atrair novas empresas, ideias e modelos educacionais.

"Seria um celeiro criativo para a comunidade de pesquisa e também para os moradores", disse Lev Gonick, CIO da Case Western, em Cleveland.

No ano passado, a Case Western implementou um programa piloto em uma área de vários quarteirões perto do campus, disse ele. A Zona Case Connected oferece um gigabite de rede de fibra óptica para 104 casas ao lado da universidade. Em três meses de sua inauguração, disse Gonick, três startups se mudaram para o bairro.

"Acreditamos que uma pequena quantidade de investimento pode render grandes lucros para a economia americana e para a nossa sociedade", disse ele.

As instituições membro da GigU vêm principalmente da região central – de Estados como Indiana, Kentucky, Missouri, Montana e Virgínia – onde podem potencialmente ter um grande impacto sobre as comunidades de médio porte do país. As maiores universidades já têm acesso a redes de maior velocidade.

As faculdades estão se preparando para falar com grandes empresas de telecomunicações sobre maneiras de atrair novos empreendimentos para seus bairros através de uma computação super rápida. Depois, elas vão buscar propostas de negócios para a construção das redes, “não daqui a décadas, mas nos próximos anos", disse o grupo em um comunicado.

Embora os Estados Unidos tenham sido pioneiros nas redes de computadores da década de 1960 até os anos 1990, nos últimos anos o país tem ficado para trás na implantação e aperfeiçoamento da tecnologia de rede. Um estudo recente feito pelo Fórum Econômico Mundial concluiu que, embora os Estados Unidos fiquem em quinto lugar na “prontidão” de sua rede – um índice adotado para comparar o acesso dos países na era digital – ele fica em 30 na largura de banda disponível para a população.

Em 2010, antes de ingressar no Instituto Aspen, um think-tank de política (instituto de pesquisa e estratégia), Levin foi diretor de pessoal do Plano de Banda Larga Nacional da Comissão Federal de Comunicações, que visa a tornar a internet de alta velocidade disponível em todos os Estados Unidos. Depois de deixar a agência e conversar com pesquisadores de universidades de todo o país, ele passou a acreditar que os Estados Unidos precisavam encontrar uma estratégia para melhorar continuamente a qualidade de sua tecnologia de internet.

"É a diferença entre vê-la como uma corrida versus a criação de um ecossistema em constante evolução que melhore as nossas redes", disse Levin.

A comunidade de pesquisa deve ainda combater o ceticismo sobre o que alguns técnicos chamam de mentalidade "construa e eles virão". Alguns técnicos dizem que assim que redes mais rápidas sejam implementadas, novos usos vão surgir para elas que não podem ser previstos hoje. Outros argumentam que a alta resolução de vídeo é a única aplicação atual para as redes de velocidade mais alta.

"O conceito é louvável, mas precisamos saber qual é o propósito", disse Michael Kleeman, um designer de rede de computadores e estrategista de política de telecomunicações da Universidade da Califórnia, em San Diego.

* Por John Markoff

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