Faculdades americanas oficializam despedida entre pais e alunos

Instituições encorajam pais "protetores" a recuar para que seus filhos possam desenvolver independência

The New York Times |

GRINNELL, Iowa – A fim de separar pais corujas de seus filhos universitários, a Faculdade Morehouse instituiu uma cerimônia formal de despedida.

Na cerimônia, que aconteceu em uma noite recente, os pais de alunos calouros ouviram alguns discursos na capela e, em seguida, os estudantes passaram pelos portões do campus de Atlanta – que se fechou, deixando os pais de fora.

Conforme a última onda de pais superenvolvidos entrega seus filhos à faculdade, as instituições começam a preparar para seu primeiro dia, que normalmente é cheio de emoção, atividades destinadas a pontuar e acelerar a separação.

Isso faz parte de um processo cada vez mais complexo, na era do Skype e das mensagens de texto, no qual as faculdades estão encorajando os pais “protetores” a recuar para que seus filhos possam desenvolver independência.

A Faculdade Grinnell, como muitas outras, julgou ser necessário estabelecer quando os pais realmente dizem adeus.

A data da mudança dos 415 calouros da classe de 2014 foi sábado. Depois que impressoras e malas foram transportadas para os dormitórios, todos se reuniram no ginásio, os alunos de um lado das arquibancadas, os pais do outro.

Brian C. Frank/The New York Times
Tim Marsho observa seu filho, Chris Marsho, 18 anos, a fazer a mudança para o dormitório da faculdade Grinnell

O presidente saudou a nova classe de costas para os pais – uma encenação simbólica para inspirar “um momento a-ha”, disse Houston Dougharty, vice-presidente de assuntos estudantis, “uma epifania quando os pais devem perceber: ‘meu filho está se sentindo mais confortável ao lado de 400 pessoas que acabou de conhecer’”.

Pouco depois, os pais foram convidados a deixar o campus.

A mudança de seus alunos geralmente leva poucas horas. Fazer com que os pais sigam adiante pode levar mais tempo. A maioria dos reitores conta histórias de pais que ficaram em torno do campus por vários dias.

Alguns funcionários da graduação veem na ansiedade da separação dos pais os excessos da criação moderna.

Dougharty e outros funcionários da vida estudantil, incentivam os pais à separação – não apenas no momento da mudança, mas ao longo de todo o primeiro ano, chegando a limitar chamadas telefônicas e mensagens de texto.

Os pais, claro, sabem disso em sua cabeça. Mas ainda não conseguem deixar os filhos para trás.

Quanto a Dougharty, da Faculdade Grinnell, pela primeira vez em sua carreira acadêmica ele perdeu o dia de mudança de seu próprio campus. Ele e sua esposa foram levar sua única filha, Allie, a Faculdade Earlham, em Richmond, Indiana, para começar seu ano de caloura.

Dougharty tinha feito reservas em uma pensão perto do campus para a noite de sábado, mas sua esposa, Kimberly, questionou por que eles deveriam ficar por perto depois de deixar Allie.

“Tive de me olhar no espelho”, disse Dougharty. “Eu tinha pensado: ‘No domingo de manhã podemos passar por lá e levar Allie para tomar café. Kimberly foi mais sensata – ‘Temos que pegar a estrada’”.

* Por Trip Gabriel

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