Extrema-esquerda barra fim da greve de professores no Ceará

Sindicato e governo do Estado chegaram a um acordo, mas grupos impedem a volta às aulas

Daniel Aderaldo, iG Ceará |

O Sindicato dos Professores do Ceará (Apeoc) perdeu o controle da greve que já dura 55 dias. A categoria está dividida e a direção da entidade acusa movimentos sociais, partidos e grupos de extrema-esquerda de atrapalhar a negociação com o governo do Estado. “Uma luta da categoria deve ser conduzida pela categoria", disse à reportagem do iG o presidente do Sindicato Apeoc, Anízio Melo.

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Desde que a greve dos professores da rede estadual foi deflagrada há 55 dias, o movimento ganhou o apoio de militantes do PSol, do PSTU, do movimento estudantil e do grupo de extrema-esquerda Crítica Radical. Durante as assembleias da categoria, protestos e até reuniões do comando de greve com o governo, a presença e participação de integrantes desses segmentos se tornou constante.

Agora, a direção do sindicato está incomodada com o nível de participação desses grupos. "A nossa greve teve uma amplitude muito forte e atraiu alguns interesses que nós não concordamos com eles, porque são alheios à nossa luta. Nós entendemos que o apoio e a solidariedade devem existir, mas o comando da greve deve ser feito pelos educadores e educadoras por meio da sua entidade oficial", afirmou Anízio Melo.

Depois de duas semanas sem avanço nas negociações, o comando de greve foi recebido pelo governador Cid Gomes (PSB) na última quinta-feira (22). Cid prometeu apresentar tabelas de reajuste no prazo de até 30 dias e realizar concurso público para professor em 2012, desde que os professores voltassem às aulas.

Na sexta-feira (23), a categoria mostrou que está dividida e decidiu manter a paralisação , ao contrário do que encaminhou a direção do sindicatio - que defendia a suspensão da greve, diante das novas propostas do governo. "No dia da assembleia havia carros de sons alheios à nossa luta combatendo a direção do sindicato, e não em defesa da categoria. Carros de som atacando partidos e atacando governos para ganhar espaço. Isso traz prejuízos”, avaliou o sindicalista.

Daniel Aderaldo/iG
Membros do grupo Crítica Radical: a greve é dos professores, mas eles estão interessados mesmo em algo que "transcenda a mera reivindicação salarial"
Nesta quarta-feira (28), durante o terceiro protesto realizado na Assembleia Legislativa somente no mês de setembro a favor dos professores, das mais de 300 pessoas que ocuparam o prédio do legislativo, boa parte estava sob o comando da Crítica Radical, e não do sindicato dos professores. A ex-vereadora de Fortaleza, Rosa da Fonseca, propôs aos manifestantes acampar na Assembleia. E alguns professores iniciaram uma greve de fome.

null O iG ouviu a ex-prefeita de Fortaleza eleita pelo PT, e integrante do movimento Crítica Radical, Maria Luiza Fontenele. Ela discordou que essa participação cause estragos. Mais do que isso, na visão dela, essa interferência é necessária. “Os instrumentos usados pela luta sindical hoje estão meio esgotados. Você tem que entrar numa perspectiva cada vez mais ampla. Então há que se entender que você tem que ter na perspectiva de luta algo que transcenda a mera reivindicação salarial”, diz ela.

O vereador de Fortaleza, João Alfredo (PSol), disse que “estranhou” a declaração do presidente do sindicato dos professores. "Só falo quando me é dado e a palavra e não digo que a greve deve continuar ou parar. O que pode haver é uma coincidência da posição do PSTU, PSOL e Crítica Radical em relação ao sentimento da categoria”, defendeu.

Para o líder do governo na Assembleia, Antonio Carlos (PT), o apoio desses movimentos é legitimo. Contudo, ele reconhece que em alguns momentos esses “atores externos” podem causar algum ruído na comunicação entre grevistas e governo. “Quando um segmento, que é uma organização, seja partidária ou não, vai para o comando de greve pelo seu peso ideológico e não pelo lastro real que tem na categoria, a representação fica destorcida”.

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