Estudo afirma: é preciso revolução para evitar aquecimento global

Um novo estudo publicado esta semana pela revista britânica Nature afirma que somente uma revolução no uso da energia poderá evitar uma catástrofe devido ao aquecimento global. Segundo o estudo, mantendo o atual ritmo de emissão de carbono a elevação da temperatura na Terra ultrapassará com facilidade a meta de 2 graus Celsius prevista para o final do século.

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A conclusão foi alcançada por dois trabalhos independentes realizados pelos pesquisadores Malte Meinshausen, da Universidade de Potsdam, na Alemanha e Myles Allen, da Universidade de Oxford, no Reino Unido. De acordo com os cientistas, para que a temperatura não ultrapasse a marca de 2 graus é necessário que a quantidade de CO2 (dióxido de carbono) emitida não ultrapasse 1000 gigatoneladas até o ano de 2050.

Considerando-se que apenas nos primeiros sete anos do século 21 a humanidade já emitiu aproximadamente 250 gigatoneladas, estima-se que até 2050 a quantidade emitida ficará em torno de 1750 gigatoneladas, quase o dobro do limite.

"Se continuarmos queimando combustível fóssil da forma atual, em menos de 20 anos esgotaremos o orçamento permitido elevando acima de 2 graus o patamar previsto", disse Meinshausen.

Revolução de Costumes

Os cientistas que estudam o aquecimento global não sabem ao certo o nível de aquecimento que pode ser tolerado pelo planeta, mas grande parte dos governos mundiais estabeleceu como "razoável" uma elevação máxima de 2 graus até o final do século 21. No entanto, sem uma verdadeira revolução de costumes, como sugere o artigo, será muito difícil manter essa meta.

Os combustíveis fósseis, entre eles os carvão, gás e petróleo, constituem a espinha dorsal da geração de energia em todo o mundo, mas também são a principal fonte de emissão de dióxido de carbono, responsável direto pelo aquecimento da atmosfera e alterações nos padrões climáticos atuais.

Melhorar a eficiência do uso desses combustíveis ou trocá-los por formas alternativas de energia seria a melhor maneira de combatermos as emissões de carbono, mas o alto custo econômico constitui o maior entrave para essas mudanças.

No entender de Meinshausen os esforços não devem ser adiados, pois mesmo com uma elevação de 2 graus os riscos são imprevisíveis. "Somente a rápida mudança de combustíveis nos dará chances de evitarmos o pior. Não devemos esquecer que 2 graus de elevação é uma temperatura muito maior que a experimentada desde que o Homem surgiu na Terra", disse o cientista.

De acordo com Bill Hare, co-autor do trabalho, para atingir a meta os esforços têm que ser realmente revolucionários. Segundo Hare, para manter a temperatura abaixo de 2 graus não se pode queimar mais de um quarto das reservas de combustíveis fósseis até 2050. Depois disso apenas uma fração poderá ser consumida.

Níveis de concentração

Segundo os climatologistas, desde o início da Revolução Industrial o planeta já aqueceu 0.8 grau Celsius e deverá aquecer mais 0.5 grau nas próximas décadas devido às emissões anteriores de gases do efeito estufa.

A maioria dos estudos atuais mostra que se os esforços para conter as emissões não forem ampliados, até o final do século a concentração de dióxido de carbono atmosfera atingirá 760 ppm (partes por milhão), o dobro da atual. Algumas estimativas mostram que na metade do século a concentração será de 500 ppm. Apenas para comparação, antes da revolução industrial, entre os séculos 18 e 19, os níveis eram de aproximadamente 280 ppm. Atualmente o valor já atinge 380 ppm.

Foto: O automóvel movido a partir da queima de combustíveis fósseis continua sendo fabricado em larga escala em todo mundo e é um dos maiores responsáveis pela emissão de CO2. Acima, gráfico mostra o aumento da concentração de CO2 ao longo dos anos, além do valor projetado até o final do século. Crédito: Wikimedia Commons. Apolo11.

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