Estudantes usam vestibular da Unesp como treinamento

Última prova da segunda fase acontece nesta segunda-feira. Candidatos e pais enfrentam frio em São Paulo

Cinthia Rodrigues, iG São Paulo |

O vestibular de meio de ano da Universidade Estadual Paulista (Unesp) – que bateu recorde de inscritos – é considerado apenas um treino para boa parte dos vestibulandos. No único ponto de provas em São Paulo, era mais fácil encontrar pessoas que não querem a carreira para a qual estavam prestando do que as que realmente disputam uma vaga no segundo semestre.

Nesta segunda-feira acontece a segunda e última prova da segunda fase do vestibular da Unesp. Os portões foram fechados às 14h e os estudantes vão responder as questões até as 18h. “É uma das provas mais bem elaboradas”, diz Lucas Luciano Barreto, de 19 anos, que se inscreveu para Engenharia de Controle de Automação, mas quer fazer Medicina em uma universidade pública. A Unesp é a única das três universidades estaduais de São Paulo com vestibular de meio de ano, por isso foi a opção de muita gente para treinar.

No segundo ano de cursinho, Barbara Vilar, de 23 anos, que estudou em escola pública tem confiança de passar pela primeira vez. Ela quer fazer Educação Física, opção que não havia neste vestibular, e acabou se inscrevendo para Geografia. “Prestei outras vezes como treinera ou mesmo já formada, mas sem chances de passar. Essa é a primeira prova em que testo realmente se tenho condições de passar”, conta.

Entre os estudantes que estão treinando o curso mais procurado é Medicina. Juliana Roberto Ragozzino, 16 anos, inscrita para Agronomia está no terceiro ano do ensino médio e acha que ainda fará muitas provas até entrar em Medicina. “A gente sabe que quem quer fazer essa carreira tem que treinar muito mesmo. Além dos vestibulares de fim de ano, tem que fazer os do meio de ano também.”

Frio em São Paulo

Boina vermelha de lá na cabeça, cachecol com as cores do arcoiris, Beatriz Moreto, de 18 anos, estava entre as mais preparadas para enfrentar o frio – nesta segunda-feira os termômetros marcam cerca de 14ºC na capital paulista. Beatriz diz que prefere se encapotar de roupa do que prestar vestibular no calor, como ocorre na Fuvest no começo do ano. “Lá na sala, incluindo o nervoso, fica quentinho”. A estudante presta vestibular para Geografia e, ao contrário dos que estão treinando, pretende realmente garantir uma vaga na Unesp.

No caso da família Renzo, o carro e o cafezinho foram usados para aquecer Giulia di Renzo, de 20 anos. Ela e os pais que vieram de Santos, no litoral paulista, ficaram dentro do carro até a hora da entrada. Cada um tomou dois cafés para esquentar. "Estamos fora o final de semana todo. Fomos a Campinas prestar a PUC e desde ontem estamos aqui passando frio", diz Marcelo, pai de Giulia.

Menos preparado para a baixa temperatura, estava Luiz Guilhermo, de 17 anos, que tremia de frio com os braços cruzados. "Na minha cidade não faz tanto frio assim", diz o treinero que é de São José dos Campos, interior do Estado.

Depois do fechamento dos portões, quem ficou passando frio foram os parentes, que aguardam os vestibulandos. Silvia Ramos conta que já havia sentido a queda de temperatura no final da tarde de domingo e reforçou os casacos nesta segunda. "Para mim ontem estava pior", conta. Já Marilene de Souza Pettuzzi, que veio acompanhar a filha, está sentindo muito frio. "Pretendia passar no médico, mas não foi possível e resolvi aguardar aqui."

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