Estudantes terão lições sobre finanças pessoais a partir de 2012

Projeto da Estratégia Nacional de Educação Financeira é elogiado por especialistas, desde que não se torne disciplina específica

Priscilla Borges, iG Brasília |

O planejamento de um orçamento familiar, a criação de planilhas de gastos mensais, a abertura de uma poupança, os cálculos de juros de financiamentos ou rendimentos em aplicações, por exemplo, farão parte das lições ensinadas nas salas de aulas das escolas públicas brasileiras a partir de 2012. Essa é a ideia do grupo que discute as estratégias para promover a educação financeira entre os brasileiros no governo federal.

Desde o final de 2007, um grupo de trabalho com representantes do Banco Central, da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) – que coordena as discussões – da Secretaria de Previdência Complementar e da Superintendência de Seguros Privados trabalha para criar uma Estratégia Nacional de Educação Financeira. Além de traçar os conhecimentos da população sobre o tema, o objetivo era definir projetos que promovessem o assunto nas escolas.

Na semana passada, o decreto que torna a estratégia oficial foi publicado no Diário Oficial da União. A proposta não prevê a criação de uma nova disciplina nos currículos das escolas de ensino fundamental e médio do País, mas sim a inserção do conteúdo nas aulas dadas por professores de diferentes áreas. Para os especialistas, esse é um ponto fundamental. “Não podemos é inserir mais uma disciplina nos currículos”, reforça Mozart Neves Ramos, conselheiro do Conselho Nacional de Educação (CNE).

Mozart acredita que a inserção do conteúdo nas grades curriculares das disciplinas que já existem é benéfico. “O tema pode ajudar a ilustrar, por exemplo, conteúdos de matemática. Em geral, os alunos têm dificuldade em entender a aplicação dos conceitos e isso pode tornar a disciplina mais atraente”, afirma o conselheiro. O presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Carlos Sanches, concorda.

“Essa é uma discussão que precisa ser levada para a sala de aula. Hoje até acontece, mas não de forma profunda. A educação financeira ajuda a trabalhar a consciência cidadã dos alunos e desperta o senso crítico deles”, opina. A Undime é uma das convidadas a participar do grupo que discute ações pedagógicas da Estratégia Nacional. “O conteúdo não vai sobrecarregar o professor e o material é interessante. Pedimos a elaboração de material para alunos das séries iniciais do ensino fundamental. Ele dó foi feito para as séries finais”, comenta Sanches.

Sanchez conta que os professores são preparados para trabalhar com jogos e outros conteúdos produzidos pela CVM. A iniciativa, segundo ele, está sendo definida da forma que eles acham mais correta: em parceria com os educadores. Mozart conta que o tema ainda não chegou aos debates do Conselho Nacional de Educação, mas ele acredita que as redes estaduais e municipais de educação é que deverão decidir se vão e como vão trabalhar o tema.

Nas escolas

O programa definido para trabalhar a educação financeira nas escolas possui um site para ajudar os interessados a conhecer melhor as propostas. São distribuídos às escolas parceiras – há projetos-piloto em diferentes Estados brasileiros – dois livros, um para o aluno e outro para o professor. Os educadores também puderam receber formação por meio da internet. A proposta é que o assunto passe não só pelas aulas de matemática, como também de história, ciências sociais e português.

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