Estudantes ocupam embaixada do Brasil no Chile contra lei de Educação

SANTIAGO DO CHILE - Um grupo de estudantes secundaristas ocupou nesta quinta-feira a embaixada do Brasil em Santiago, no contexto das manifestações estudantis contra a nova Lei Geral de Educação do governo da presidente chilena Michelle Bachelet.

Agência Ansa |

Cerca de 12 pessoas entraram na representação diplomática e leram, em espanhol e em português, uma protesto contra o projeto de lei que reforma o sistema de educação chileno. O ato foi liderado por María Jesús Sanhueza, que foi dirigente dos estudantes secundaristas na chamada "revolucão dos pinguins", em 2006.

Sanhueza e outro estudante se acorrentaram no interior do escritório da diplomacia brasileira e, após dialogar com o cônsul do Brasil, foram detidos pela polícia, junto com os demais estudantes que estavam no local.

A porta-voz dos estudantes explicou à Rádio Bio Bio que a ação foi "uma medida de pressão para ver se podíamos avançar mais internacionalmente, porque não podemos aguentar que estejam mentindo para nós desde 2006". A jovem acrescentou que o cônsul brasileiro "não prestou nenhuma queixa" pela ocupação.

"Fim do lucro"

A medida aconteceu em paralelo a uma marcha realizada hoje por mais de cinco mil estudantes secundaristas que se opõem à nova Lei Geral de Educação, que substituirá a norma vigente desde a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).

Essa manifestação estudantil foi a maior em partcipação e também a mais longa do ano, já que seus participantes caminharam por mais de duas horas, desde a região leste de Santiago até o centro da capital, onde 60 estudantes foram detidos pela polícia ao tentar avançar até a Casa de Governo.

Os estudantes pedem um maior papel do Estado na educação e o fim do lucro por parte dos "apoiadores" que recebem dinheiro público para administrar centros de ensino.

A nova lei cria uma superintendência que mantém os subsídios à educação e consagra o direito a "uma educação pública e de qualidade", mas tanto estudantes quanto professores consideram-na insuficiente.

Apenas na capital chilena, estão em protesto Universidad de Chile, Universidad de Santiago, Universidad Metropolitana de Ciencias da la Educación e a Universidad de Humanismo Cristiano, esta última de caráter privado, a única dessa modalidade a se somar aos protestos contra "o lucro na educação".

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