Estudantes em greve pedem outro projeto de segurança na USP

Assembleia decide pela paralisação das atividades após prisão de 68 estudantes que ocupavam a reitoria. FEA é contra

iG São Paulo |

Os alunos da Universidade de São Paulo (USP) decidiram paralisar as atividades acadêmicas na noite da última terça-feira, após a detenção de 72 pessoas (68 estudantes e quatro funcionários) que ocupavam a reitoria. Os estudantes decidiram pela "greve imediata" em uma assembleia geral convocada pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) e com a participação de 3 mil pessoas, segundo a entidade.

A reportagem do iG visitou o câmpus do Butantã na manhã desta quarta-feira e verificou que as aulas acontecem normalmente. Diversas assembleias de estudantes estão marcadas para acontecer nas unidades da USP. Às 17h, os professores da universidade farão uma assembleia.

Entre as reivindicações dos estudantes que votaram pela paralisação estão a saída da Polícia Militar do câmpus, o fim do convênio da USP com a Secretaria de Segurança Pública, a liberdade aos presos (sem punições administrativas ou criminais), a retirada de todos os processos “movidos contra estudantes por motivos políticos” e a saída do reitor João Grandino Rodas.

Os estudantes pedem "outro projeto de segurança" e que a reitoria se responsabilize por um plano de iluminação no campus, política preventiva de segurança, abertura do campus à população para que aumente a circulação de pessoas, abertura de concurso público para outra guarda universitária, que tenha treinamento para prevenção dos problemas de segurança e com efetivo feminino para a segurança da mulher, mais ônibus circulares e um transporte que ligue a universidade ao metrô Butantã.

Também ficou decidido que os estudantes farão uma manifestação na próxima quinta-feira (10) às 14h no Largo São Francisco, onde fica a faculdade de Direito da USP. Uma assembleia geral dos estudantes será realizada no local às 18h.

AE
Estudantes realizaram assembleia geral na noite de terça-feira no prédio de História da USP

FEA é contra

O Centro Acadêmico da Faculdade de Administração e Economia se posicionou contra a greve dos estudantes. Em nota, a entidade que representa os alunos da faculdade afirma que “discorda das pautas e dos métodos utilizados pelos setores mais radicalizados e, em respeito aos seus associados, indica que não haja adesão a essa paralisação”.

AE
Anúncio da greve na manhã desta quarta-feira na Univrsidade de São Paulo
Alunos libertados

Nesta madrugada, o último estudante da USP preso durante a reintegração de posse foi libertado . Os alunos detidos no prédio da reitoria na madrugada de terça-feira (7) pagaram a fiança e assinaram alvará de soltura. Eles foram encaminhados para fazer exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML) . No total, R$ 39.240 foram pagos para as 72 pessoas.

A ocupação da reitoria da universidade, iniciada no dia 1º, terminou com a ação da Tropa de Choque da Polícia Militar e a prisão das 72 pessoas que estavam no local. Ninguém ficou ferido, mas o clima de tensão continuou na universidade, com aulas suspensas, assembleias estudantis e barricadas na entrada de prédios. A PM informou que manterá dois pelotões na área por tempo indeterminado.

A desocupação teve início às 5h10. Munidos de cassetetes, escudos e armas com balas de borracha, 400 policiais arrombaram um portão que dá acesso à reitoria e foram de encontro aos estudantes, com apoio aéreo de dois helicópteros e da cavalaria. O prédio, de seis andares, foi cercado. Os estudantes não ofereceram resistência. Na sequência, os alunos foram revistados, embarcados no ônibus da Polícia Militar e levados para o 91.º Distrito Policial.

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- Veja a íntegra da ata da assembleia geral dos estudantes
- Leia a nota do Centro Acadêmico da FEA sobre a greve

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