Estudantes de Brasília têm melhor desempenho do País

Média da cidade ficou 38 pontos acima da nacional em avaliação internacional. Santa Catarina aparece em segundo

Priscilla Borges, iG Brasília |

As notas obtidas pelos estudantes brasileiros no Programa de Avaliação Internacional de Estudantes (Pisa), exame educacional criado pelos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) para verificar a qualidade de ensino nos países desenvolvidos e parceiros, revelam grandes diferenças regionais, a exemplo de outras provas nacionais que medem o desempenho dos alunos.

Estados das regiões Norte e Nordeste possuem notas inferiores aos das regiões Sudeste e Sul. O melhor desempenho nacional, no entanto, está no centro-oeste do Brasil. Os estudantes de Brasília alcançaram notas mais altas que os outros brasileiros em leitura, matemática e ciências. Na primeira, eles obtiveram 449,4 pontos. Na segunda, 424,8 e, na terceira, 442,6. A média final dos brasilienses ficou em 439 pontos.

Na sequência dos melhores desempenhos, aparecem Santa Catarina (com média 428), Rio Grande do Sul (424 pontos) e Minas Gerais (422). Assim como no caso do Distrito Federal, em todos eles, as maiores notas vêm da área de leitura. A pior média foi obtida por Alagoas, 354 pontos. O Maranhão não ficou longe, com 355 pontos. Acre, Amazonas e Rio Grande do Norte ficaram com 371 pontos.

Vale lembrar que, mesmo os estados com melhor desempenho do País, não conseguiram atingir o nível 3 de leitura – no qual os estudantes são capazes de interpretar leitura de complexidade moderada –, matemática – no qual eles são capazes de selecionar e aplicar estratégias simples de solução de problemas – e em ciências – no qual podem interpretar e usar conceitos científicos de diferentes disciplinas e aplicá-los.

O ministro da Educação, Fernando Haddad, acredita que todos terão de melhorar os resultados. “Cada estado vai se debruçar sobre seus resultados e apresentar medidas para melhorar. Estamos aquém do nosso potencial enquanto país. A dinâmica têm de ser a de buscar excelência”, afirma.

As médias por Estado começaram a ser divulgadas em 2006. Porém, segundo o ministro, os dados anteriores não devem ser comparados com os atuais. Ele explica que, na última aplicação do Pisa, houve muitas falhas nas amostras, o que terminou por gerar erros na medida do desempenho de alguns estados. No ano passado, para garantir notas mais fiéis à realidade, a amostra de estudantes brasileiros que fazem a prova duplicou.

Estados Média geral Leitura Matemática Ciências
Acre 371 383,2 350 379
Alagoas 354 362,6 347,6 352,7
Amazonas 371 386,6 353,2 373
Amapá 378 390,4 365,3 378,2
Bahia 382 391,5 368,7 384,3
Ceará 376 381,4 361,2 385
Distrito Federal 439 449,4 424,8 442,6
Espírito Santo 414 423,6 397,3 421,3
Goiás 402 412,3 385 409
Maranhão 355 363 341,1 362,3
Minas Gerais 422 430,6 407,5 428,6
Mato Grosso do Sul 404 413,8 389,5 408,7
Mato Grosso 389 398,5 378,8 390,6
Pará 376 383,4 362,8 381,8
Paraíba 385 390 376,3 388,5
Pernambuco 381 389 368,8 384,4
Piauí 374 377,7 364,2 380
Paraná 417 423,2 405 423,5
Rio de Janeiro 408 419,8 392,9 411,5
Rio Grande do Norte 371 383,5 360,2 369,4
Rondônia 392 398,7 379,1 397,7
Roraima 376 383,6 358,8 384,6
Rio Grande do Sul 424 433,1 410 428,5
Santa Catarina 428 438,1 411,9 434,8
Sergipe 372 379,3 358,8 378,5
São Paulo 409 424,4 390,4 411,6
Tocantins 382 390,7 363,4 392,2
BRASIL 401 412 386 405
Fonte: Ministério da Educação/PISA

Exemplo

Para o ministro, apesar de o Distrito Federal ter a maior nota, o grande exemplo a ser seguido é Minas Gerais. Ele explica que o Estado não está entre os que mais possui recursos disponíveis para investir nos alunos, mas ainda assim possui bons resultados nas avaliações. “Nós criamos o paradigma do fundo de manutenção da educação básica a partir de Minas, inclusive”, conta.

Haddad diz que Minas Gerais se assemelha muito com o Brasil em duas diferentes realidades regionais. “É um mini-Brasil, com todos os seus problemas. Ainda assim, possui alto desempenho educacional. O exemplo serve para mostrar que temos condições de chegar às nossas metas”, garante.

O ministro ressaltou que discorda das comparações entre os Estados das regiões Norte e Nordeste e os do Sudeste e Sul. “É injusto cobrar do Nordeste o mesmo resultado que o do Sul. Só muito recentemente as condições de recursos foram equalizadas. Precisamos corrigir as desigualdades regionais a ponto de que, não importa onde uma criança nasça, o investimento público em sua formação seja o mesmo”, defende Haddad.

No ano que vem, de acordo com o ministro, R$ 10 bilhões serão investidos no Fundo de Manutenção da Educação Básica (Fundeb) para garantir que os estudantes dos Estados mais pobres recebam a mesma quantia de investimentos em educação.

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