Estudantes da USP fazem manifestação no centro de São Paulo

Alunos tentam explicar à população motivo de repúdio à Polícia Militar e à reitoria e convidam Alckmin para de aula de democracia

iG São Paulo |

Estudantes da Universidade de São Paulo (USP) fizeram nesta quinta um ato público no centro de São Paulo contra a Polícia Militar. Segundo a organização, participaram 5 mil pessoas no local, já a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) contou 1 mil.

A manifestação começou e terminou no Largo São Francisco, em frente à Faculdade de Direito, que declarou há mais de um mês o reitor João Grandino Rodas como ‘persona non grata’ . Durante três horas, os estudantes percorreram as principais vias do centro antigo com os alunos detidos na reintegração de posse da reitoria de mãos dadas à frente. A Polícia Militar não acompanhou a maior parte do protesto.

AE
Estudantes da USP param trânsito de São Paulo contra ação da polícia no campus

Leia a coluna de Mateus Prado: Conflitos na USP vão além da presença da polícia no câmpus

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Alunos da USP se manifestam no Largo São Francisco, em frente a Faculdade de Direito
Na caminhada, o grupo grita "João Grandino, a culpa é sua. A aula agora é na rua", em referência ao reitor, João Grandino Rodas. Segundo João Victor Pavesi de Oliveira, do Diretório Central Estudantil, a ideia de levar os protestos para o centro é chamar atenção da sociedade. "Aqui foi a casa do Rodas e aqui foi aprovado um título de persona non grata para ele, por isso viémos para cá, para que a sociedade reflita e participe", diz. 

Uma estudantes no carro de som disse que a manifestação não é pela descriminalização da maconha. Cartazes também tentam mudar o foco da cobertura do episódio que começou com a detenção de três usuários detidos no campus. "Não estamos aqui pelo livre consumo de maconha. Absolutamente. Somos contra a opressão da polícia militar dentro do campus."

Os estudantes da USP declaram greve na última terça-feira, após a detenção de 72 pessoas (68 estudantes e quatro funcionários) que ocupavam a reitoria. Os professores da universidade decidiram apoiar o movimento, mas não aderiram à greve.

A concentração dos estudantes começou às 12h em frente ao prédio de História e Letras da USP, de onde os manifestantes devem sair de ônibus em direção ao centro da capital.

Marcelo Ricardo Grunwald
Algumas ruas do centro foram totalmente tomadas por estudantes da USP
O Diretório Central dos Estudantes (DCE) reivindica um “outro projeto de segurança” para a USP, no qual a reitoria se responsabilize por um plano de iluminação no câmpus, política preventiva de segurança, abertura do câmpus à população para que aumente a circulação de pessoas, abertura de concurso público para uma guarda universitária treinada para prevenção dos problemas de segurança e com efetivo feminino para a segurança da mulher, mais ônibus circulares e um transporte que ligue a universidade ao metrô Butantã.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, também virou alvo dos protestos. Na terça-feira, após a reintegração de posse da reitoria da USP, ele declarou que alunos precisavam de "aula de democracia". Um grupo carrega um cartaz: "Ackmin aguardamos você na USP para ministrar aula de democracia".

Os alunos querem a saída da Polícia Militar do câmpus, o fim do convênio da USP com a Secretaria de Segurança Pública, a liberdade aos presos (sem punições administrativas ou criminais), a retirada de todos os processos “movidos contra estudantes por motivos políticos” e a saída do reitor João Grandino Rodas.

AE
Resposta dos alunos a fala do governador de que alunos precisam de aula de democracia
Ocupação da reitoria

A ocupação da reitoria da universidade foi iniciada na madrugada do dia 2, após uma assembleia de estudantes decidir pela desocupação da FFLCH – invadida após três estudantes serem detidos por estarem fumando maconha. A Tropa de Choque da Polícia Militar fez a desocupação e deteve 72 pessoas que estavam no local. Às 5h10, munidos de cassetetes, escudos e armas com balas de borracha, 400 policiais arrombaram um portão que dá acesso à reitoria e foram de encontro aos estudantes, com apoio aéreo de dois helicópteros e da cavalaria. Os alunos foram levados para o 91º Distrito Policial e foram soltos após pagar fiança de R$ 545 .

* Reportagem de Marina Morena Costa

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