Estudantes da Unesp organizam festival contra "rodeio das gordas"

Alunos planejam evento para esta sexta e sábado no campus da Marília, apesar de não haver autorização da direção

Cinthia Rodrigues, iG São Paulo |

Estudantes da Universidade Estadual Paulista (Unesp) anunciam que farão nesta sexta e sábado
o 1º Festival InterUnesp Contra a Opressão em resposta ao “rodeio das gordas”. Quase dois meses depois da agressão praticada durante os jogos universitários InterUnesp, em Araraquara, apenas um campus, o de Assis, instaurou sindicância para apurar a responsabilidade de alunos envolvidos. A reitoria da instituição no entanto avisa que não há autorização para o evento.

O festival foi organizado pelo Diretório Central Estudantil (DCE) que tentou conseguir o apoio da reitoria. O aval não foi dado. A direção do campus de Marília informou que não é permitido usar o local de madrugada e avisou, em reunião na quarta-feira, que não será permitido o uso da área para o evento. Em nota a imprensa, a instituição diz também que não tem recursos para realizar o festival. "No final das contas, vamos fazer o evento também como ato de protesto. Se for preciso vamos ocupar o campus", diz Daniel Bocalini, do DCE.

Na sexta, a programação inclui shows musicais, teatro e uma mesa redonda a partir das 19h30 com o tema “Machismo, racismo e homofobia nas universidades. brasileiras”. Haverá representantes de movimentos de negros, feministas e homossexuais. No sábado, o debate será sobre arte e política.

Em “chamada aos artistas” para o evento, o DCE diz o que o bullying de Araraquara “consistia em que os homens inscritos em uma competição montassem em cima da estudante ridicularizando-a perante todos que estavam participando da festa. Este ato nos revela o quanto se naturalizou a imposição de um padrão estético aos corpos femininos e a idéia da mulher como objeto ao desfrute dos homens”.

A organização também lembrou outros atos de violência e preconceito ocorridos este ano. “Na Universidade de São Paulo, nos deparamos no começo deste ano com a proposta de premiação por parte de um jornal organizado por um grupo de estudantes para quem arremessasse fezes em um gay e mais recentemente com as agressões físicas contra um casal de homossexuais em uma festa da Escola de Comunicação e Artes (ECA). Ainda na capital paulista, vemos o surgimento de um movimento que pede a morte de nordestinos e que já planejam até atos por uma São Paulo para os paulistanos”.

Sindicância

O campus de Assis foi o único que instaurou sindicância para apurar a responsabilidade de alunos no InterUnesp. A investigação começou após a denúncia feita por ONG do município, que também gerou investigação do Ministério Público.

De acordo com a reitoria da Unesp, o grupo de Assis ouviu nove pessoas até o momento e fará nova reunião este mês para decidir se cabe punição.

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