Estudantes da Colômbia miram universidades brasileiras

País tem o maior número de aprovados em programa brasileiro de bolsas de estudo para estrangeiros

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O Brasil se tornou um dos destinos preferidos de colombianos que estudam no exterior: o número de vistos concedidos pela embaixada brasileira na Colômbia aumentou quase cinco vezes na última década.

Em 2001, foram entregues 276 vistos de estudante a colombianos e, em 2010, 1.212. Nos três primeiros meses de 2011, já foram 683 vistos, mais que a metade dos concedidos no ano passado. A maior parte dos vistos é para estudantes de pós-graduação, mestrado ou doutorado.

Tanto interesse se explica, em parte, pela aproximação entre os dois países e especialmente pela maior divulgação na Colômbia dos programas de bolsas que o governo brasileiro oferece a países em desenvolvimento.

Um dos mais procurados pelos colombianos é o chamado PEC-PG (Programa de Estudante-Convênio Pós-Graduação). Os selecionados recebem bolsas de R$ 1.200,00 para mestrado e R$ 1.800,00 para doutorado em universidades brasileiras.

"O objetivo é transferir conhecimento para países em desenvolvimento. Os colombianos descobriram esse caminho para estudar e mesmo aqueles que não conseguem bolsas acabam indo por conta própria. Quando voltam, se tornam multiplicadores e são bastante valorizados por terem estudado no exterior", diz à BBC Brasil a diplomata brasileira na Colômbia Clarissa Forecchi.

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Aula de português na Colômbia; país é o que tem mais aprovados em programa brasileiro de bolsas para estrangeiros
No topo dos aprovados

A Colômbia é o país com mais aprovados no programa brasileiro. Em 2010, estudantes de 29 países se inscreveram no PEC-PG, e pouco menos de um terço das bolsas ficou com colombianos. Foram 68 selecionados. O segundo colocado, o Peru, obteve 36 vagas.

O estudante precisa de uma carta de aceitação da entidade em que deseja ingressar, e ainda tem que apresentar o Certificado de Proficiência em Língua Portuguesa para Estrangeiros.

Muitos dos que não conseguem financiamento acabam indo ao Brasil e ingressando em cursos privados. A maior parte dos estudantes vai para instituições do Sudeste e do Sul. Dentre aqueles que têm financiamento, por exemplo, mais de 80% estudam em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

A Universidade de São Paulo (USP) foi a que mais recebeu colombianos neste ano, com 35% dos selecionados.

O primeiro passo dos colombianos que querem estudar no Brasil é aprender português. No Instituto Brasil-Colômbia (Ibraco), em Bogotá, a procura pelo idioma também cresceu muito. Em 2010 foram matriculados 3.386 alunos.

A diretora do Instituto, Margarita Duran, acredita que isso é fruto da maior integração entre Brasil e Colômbia. "Antes o destino dos estudantes colombianos que queriam ir ao exterior era a Europa e os Estados Unidos, mas os alunos estão vendo como as faculdades brasileiras têm qualidade e que os preços são bastante acessíveis", diz à BBC Brasil a diretora.

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Sara Mejia aprendeu português e quer uma bolsa de mestrado em sociologia no Brasil
Curso intensivo

Sara Mejia, 25 anos, é advogada e terminou recentemente um curso intensivo de português no Ibraco. Ela se prepara para tentar uma bolsa de mestrado em alguma universidade brasileira na área de sociologia. "Eu descobri que as faculdades do Brasil estão entre as melhores no ranking da América Latina e eu prefiro estudar lá do que em países europeus, porque temos muito mais em comum", diz. "Além disso, estudando o português brasileiro, eu vi que eu conheço muito pouco o Brasil".

O cientista político colombiano Fernando Rojas, 32 anos, fez mestrado em uma universidade privada brasileira entre 2004 e 2005. Rojas conta que, por meio da internet, descobriu uma linha de pesquisa na área de gestão urbana em Curitiba. Juntou dinheiro, estudou cinco meses de português e foi ao Brasil.

No primeiro ano, conseguiu uma bolsa de 60% na própria universidade. No ano seguinte, obteve o valor integral. Atualmente, Rojas é professor universitário em Bogotá.

"Para mim, o Brasil tem o modelo acadêmico que nós precisamos. Lá eu descobri que podemos ser criativos e que isso faz toda a diferença quando se fala de países em desenvolvimento. Além disso, viver lá me fez conhecer mais profundamente este país onde as pessoas são tão amáveis e solidárias", diz.

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