Estudantes chineses cortejam faculdades americanas

Dezenas de universidades dos Estados Unidos recebem inscrições de alunos da China

The New York Times |

GRINNELL, Iowa – Os folhetos coloridos repletos de fotografias retratando a vida de alunos chineses, com suas grandes conquistas do nascimento à idade adulta, ficam empilhados no escritório de admissões da Faculdade Grinnell. Apesar de eles quase nunca serem lidos por agentes de admissões, os folhetos, conhecidos na China como "folhas para se gabar" são um sinal do sucesso do marketing de Grinnell naquele país – um plano que valeu a pena em aspectos importantes, incluindo a adição de diversidade no corpo estudantil e a atração de estudantes que podem pagar a anuidade integral.

NYT
Chinês Tinggong Zhan é calouro em universidade em Iowa, nos Estados Unidos
Na Grinnel, que fica em uma região rural, quase um em cada 10 candidatos que estão sendo considerados este ano para a classe de 2015 é da China.

Dezenas de faculdades e universidades dos Estados Unidos também estão recebendo uma onda de inscrições de estudantes da China, uma economia em crescimento em que mais famílias podem buscar o sonho de uma educação superior americana.

Mas esse sucesso criou um novo problema para os agentes de admissões. Na Grinnell, por exemplo, como é que eles escolhem cerca de 15 alunos entre mais de 200 candidatos provenientes da China?

Considere, por exemplo, que metade dos candidatos da Grinnell provenientes da China este ano tem uma pontuação perfeita na parte de matemática do teste SAT, fazendo com que o seu desempenho seja em grande parte indistinguível dos demais.

Mas os candidatos mais talentosos terão notas em torno de 70 ou 80, porque as escolas chinesas tendem a pontuar de maneira bem menos generosa do que as escolas dos Estados Unidos.

Depois, há o desafio de avaliar o inglês do candidato, uma vez que algumas famílias chinesas contratam consultores, chamados de agentes, para escrever a redação de inscrição. Estes são os mesmos agentes que aconselham as famílias a gastar dinheiro com os folhetos.

"Eles deveriam guardar seu dinheiro", disse Seth Allen, o reitor de admissão da Grinnell, ao olhar para os panfletos empilhados sobre uma mesa próxima.

Na verdade, a próxima parada para os folhetos, disse Jonathan C. Edwards, coordenador de admissão internacional da Grinnell, será a reciclagem.

Os oficiais de admissões, por vezes, entram em contato com os professores e orientadores das escolas de ensino médio dos candidatos – especialmente aquelas que se tornaram "fornecedoras de alunos" para a Grinnell e de outras faculdades dos Estados Unidos.

Para as faculdades, tais ações são motivadas pelo menos em parte pelo dinheiro.

Grinnell, por exemplo, é "cega às necessidades" quando considera alunos dos Estados Unidos - que são avaliados, independentemente da sua capacidade de pagamento -, mas seu processo de admissão de estudantes estrangeiros é "ciente dessa necessidade".

Assim, um candidato da China ou de outro país pode ter vantagem se ele ou ela puder pagar a anuidade integral.

No entanto, se existe um atributo que candidatos americanos e chineses compartilham, pode ser o ardor que muitas vezes demonstram em relação à Grinnell e outras faculdades altamente seletivas.

"Uma menina me ligou da China no outro dia depois do almoço, o que era 2 ou 3 da manhã para ela", disse Edwards. "Ela disse que estava ligando para se certificar de que tudo em sua candidatura estava completo”.

"Eu tive de dizer a ela para ir dormir", disse ele.

* Por Jacques Steinberg

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