Estudantes ajudam Nasa a monitorar impacto da sonda Lcross

Está chegando a hora. Faltando pouco mais de duas semanas para o impacto da sonda Lcross contra a superfície da Lua, os cientistas da agência espacial americana contarão com um time de peso para a análise dos dados que chegam da sonda. Trata-se de um grupo de 283 alunos de diversas escolas do mundo, que já estão usando o gigantesco radiotelescópio de Goldstone para acompanhar a missão.

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Batizado de GAVRT (Projeto Vale das Maçãs do Radiotelescópio Goldstone), o projeto é uma iniciativa conjunta entre o Laboratório de Propulsão a Jato, JPL, da Nasa e o Centro Lewis para Pesquisa Educacional e tem como objetivo orientar meninos e meninas a controlar o gigantesco radiotelescópio através da internet e ensinar a eles como coletar os dados da missão, da mesma forma como os cientistas profissionais estarão fazendo.

Segundo Brian Day, do Centro Ames da Nasa, a Lcross tem uma órbita extremamente inclinada, permitindo uma janela de comunicação de apenas duas horas a cada dois dias através das antenas do DSN (Deep Space Network ou Rede do Espaço Profundo). "Por isso resolvemos pedir ajuda aos alunos do GAVRT. Os garotos estão nos ajudando a ganhar mais tempo na monitoração da sonda além de adquirirem um incrível retorno educacional através do experimento".

A história do GVART

"Em 1994, eu soube que a Nasa estava aposentando um grande radiotelescópio", disse Rick Piercy, fundador do Centro Lewis. "Eu sabia que esse radiotelescópio tinha sido usado para se comunicar com as naves Apollo e logo percebi que era algo realmente especial. Como ia ser desativado, imaginei que pudesse pedi-lo à Nasa e trazê-lo de caminhão até nossa escola".

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"Entrei em contato com falecido Dr. Michael Klein, uma das maiores autoridades em radioastronomia jupiteriana. Quando disse a ele que eu queria carregar o radiotelelescópio em um caminhão e levá-lo até a escola, ele baixou a cabeça e ficou muito pensativo. Depois de algum tempo disse: "Ele tem 110 metros de largura, pesa quase 500 toneladas e tem 9 andares de altura. Acho que não vai ser muito fácil".

Naturalmente, Pierce não conseguiu levar o radiotelescópio até a escola, mas fez algo muito maior. Com auxílio da internet conseguiu fazer as escolas irem até o radiotelelescópio e desde então mais de 38 mil estudantes em todo o mundo já utilizaram o equipamento. Além disso, os cientistas da Nasa treinam os professores do Center Lewis, que ensinam aos alunos e professores todos os métodos de operação e coleta de dados.

Monitoramento

Na missão atual, se houver algum problema com LCROSS durante o período de silêncio em que a Nasa não será capaz de ouvir os sinais, os alunos de uma ou mais escolas participantes poderão detectar a falha e repassar as informações aos cientistas, que orientarão os alunos a melhor forma de resolver o problema. "Com isso as crianças percebem o quanto elas são responsáveis e importantes para o sucesso da missão", disse Piercy.

"O Dr. Klein costumava dizer que olhar um sinal de rádio na tela do computador era tão emocionante como ver a grama crescer", disse Piercy. "Para as crianças o fascínio é porque estão participando de uma missão espacial real ao mesmo tempo em que aprendem com os cientistas da NASA o significado daqueles sinais".

Segundo Piercy, a mãe de uma aluna estava um pouco preocupada no início e disse: "Eu nem sequer deixo a minha filha usar a máquina de lavar e de repente ela vai operar um equipamento de 15 milhões de dólares. Como pode ser?". A menina então acalmou a mãe e disse: "Não se preocupe, mãe. É tudo feito remotamente pela internet. Nós só temos que estudar!

Fotos: No topo, radiotelescópio de Goldstone usado pelos alunos do GAVRT para monitorar a sonda LCROSS. Na sequência, grupo de alunos acompanha o cientista Brian Day, nas instalações do Centro Espacial Kennedy. Acima, vídeo do projeto GAVRT. Créditos: Nasa/Ames/JPL/GAVRT/Lewis Center.


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