Estudando com jogos, figurinhas e cartas de baralho

Colégios adotam novas técnicas pedagógicas e provam que é possível aprender disciplinas, como Matemática, se divertindo

Anderson Dezan, iG Rio de Janeiro |

Anderson Dezan, iG Rio de Janeiro
Estudante aprende matemática usando figurinhas da Copa do Mundo
Passam as gerações e a matemática continua sendo a disciplina mais temida por boa parte dos estudantes. Divisibilidade numérica, tabuada e números primos são alguns assuntos que ainda causam frio na espinha de muitos alunos. Imagine então aprender esse conteúdo com figurinhas da Copa do Mundo, cartas de baralho e corrida de tampinhas de garrafa. Fica mais fácil, não? Métodos lúdicos como esses são cada vez mais comuns em alguns colégios particulares do Rio e têm feito sucesso entre a molecada.

“Trabalhamos o conteúdo de uma forma lúdica. Assim, os alunos vêem que é possível estudar por meio de uma brincadeira”, diz a orientadora pedagógica do Colégio Andrews, Gilda Carregal. “O ensino não pode ser somente mecânico, como era antigamente”, completa, informando que na instituição de ensino as atividades são acompanhadas do formato tradicional com livros, quadro negro e dever de casa.

Na sala de aula do 5º ano do Ensino Fundamental os alunos estão divididos em duplas, cada qual com um punhado de figurinhas da Copa do Mundo e o álbum onde elas serão coladas. Na frente deles: a temida professora de matemática. Qualquer desavisado que entre na classe poderia pensar que aqueles estudantes estavam prestes a levar uma bronca. Mas na verdade os cromos integram uma atividade pedagógica.

“Número ímpar, divisível por cinco, mas que não é por dez”, diz em voz alta a professora Tânia Cardoso, com um cronômetro em forma de cozinheiro na mão. “Estamos fazendo um cálculo mental diferente. Eles têm de procurar o número e colar a figurinha. É uma brincadeira, mas trabalhamos o conceito de divisibilidade. Eles precisam saber a regra para ganhar o jogo. Sem contar que há um tempo cronometrado. Como está tendo essa onda de figurinhas da Copa do Mundo, aproveitei a mania e tenho feito atividades com o álbum”, explica. 

Divulgação
Menina apresenta casinha feita com caixa de sapatos na aula de ciências
Na sala ao lado, do 4º ano, cartas de baralho estão espalhadas por uma mesa e viradas para baixo. Os alunos pegam duas cartas, têm de multiplicar os números que constam nelas e dar o resultado no ato. “Eles ficam motivados e gostam. É uma forma diferente de aprender que traz o conteúdo para o dia-a-dia”, avalia a professora Valéria Souza. “Com essas atividades acaba o medo da professora de matemática. Eles nos vêem de outra forma”. 

Para Alice, de 9 anos, aluna do 4º ano e uma das mais desinibidas da classe, esses métodos facilitam o aprendizado. “Gosto muito dessas atividades porque assim aprendo me divertindo. É muito legal”, diz, sorrindo. O colega Enrico, de 8 anos, faz coro. “Matemática é a melhor matéria do mundo. Acho uma beleza aprender assim, quando tiro dez é melhor ainda”, gaba-se. 

Na Escola Edem, práticas semelhantes podem ser encontradas. Como aprender na aula de Ciências a importância de economizar energia elétrica sem recorrer aos tradicionais cartazes com figuras ou vídeos clichês? 

“Tivemos a ideia de montar uma grande casa com caixas de sapato. Após montá-la, instalamos com a ajuda de um eletricista toda a parte elétrica da maquete. Com isso, eles aprenderam noções de como economizar energia”, relembra a professora Mirian Maurell, do 5º ano. “Eles fizeram um interruptor, mexeram com chave de fenda e aprenderam outro vocabulário. Assim é muito mais dinâmico do que mostrar apenas um desenho. Os alunos precisam perceber que o conteúdo que eles aprendem na sala de aula também está no cotidiano, não só nos livros”, resume.

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