Estados Unidos oferecem bolsas para aperfeiçoamento profissional

Programa de até 11 meses privilegia brasileiros que querem se reciclar. Inscrições vão até 30 de junho

Priscilla Borges, iG Brasília |

Há três anos, a professora Eliana Sousa Silva, 49 anos, embarcou naquele que hoje considera o maior desafio de sua vida: um intercâmbio. Diretora de uma área que integra a universidade e a comunidade na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Eliana encarou a viagem até os Estados Unidos sem saber falar inglês. A oportunidade de aperfeiçoar a formação profissional e ajudar o doutorado – que estava em andamento – a fez enfrentar o medo. E um intensivo de inglês.

Em quase um ano de estudos da língua e de disciplinas na Universidade de Minnesota, a servidora da UFRJ garante que a vida mudou muito. Conheceu profissionais do mundo inteiro, fez amigos, aprendeu outros modos de fazer o próprio trabalho e liderar. Eliana também coordena uma organização não-governamental no Rio de Janeiro, que realiza trabalhos sociais nas favelas da Maré. “Foi a experiência humana mais importante da minha vida. Nunca estudei tanto também”, afirma.

Eliana participou de um programa financiado pelo governo dos Estados Unidos chamado Hubert H. Humphrey. O programa seleciona candidatos no mundo todo interessados em aprender nas instituições de ensino superior americanas, fazer estágios em organizações parceiras e trocar experiências. A diferença deste para a maioria dos programas de intercâmbio é o foco: em vez de privilegiar a formação acadêmica, é a profissional que conta.

Por isso, os candidatos devem ter, no mínimo, cinco anos de experiência profissional para se candidatar às vagas. “Esse é um programa diferenciado porque não confere grau acadêmico ao participante. É uma oportunidade de aperfeiçoar o profissional. Hoje nosso foco principal é o terceiro setor, especialmente as pessoas que não tiveram oportunidade de ter uma experiência internacional”, esclarece a coordenadora da Comissão Fulbright no Brasil, Andreza Martins. A comissão coordena a seleção.

As chances de conseguir uma vaga no programa de bolsas, que está com inscrições abertas até 30 de junho, aumentam quando o candidato ocupa postos de liderança, nunca participou de intercâmbio e trabalha no terceiro setor. O domínio da língua inglesa é exigido, mas não é um impedimento. Andreza explica que, como Eliana, é possível ter um curso de inglês financiado pela comissão antes do início do curso. “Por causa do perfil socioeconômico que queremos a língua era impeditiva muitas vezes. Hoje conseguimos driblar isso dando essa formação”, conta Andreza.

Eliana garante que a experiência vale a pena. “Queria aprender outra língua, mas, como as pessoas pobres desse País, não tive chance antes. Queria superar esse limite e consegui. Superei muitos medos, voltei mais focada e mais segura”, garante.

Para participar

As inscrições devem ser feitas pelo site do programa. É preciso criar um projeto de trabalho para ser desenvolvido nos Estados Unidos na área de interesse do candidato: desenvolvimento e economia agrícola; direito (com foco em direitos humanos); drogas (educação, prevenção e tratamento); manejo de recursos naturais e meio ambiente; planejamento urbano e regional (com foco em habitação popular); políticas e administração de saúde pública; política e administração de tecnologia (com foco em inovação); políticas e planejamento educacional (democratização, acesso e equidade do ensino superior) e tráfico de pessoas (políticas de prevenção).

Requisitos para se candidatar:

- Ter nacionalidade brasileira e não ter nacionalidade norte-americana
- Ser graduado em curso com duração superior a quatro anos
- Ter no mínimo cinco anos de experiência profissional, até agosto de 2012, após a conclusão do bacharelado
- Ter fluência em inglês

Candidatos que terão prioridade:

- Provenientes de setores sub-representados, por razões socioeconômicas, em programas internacionais de aprimoramento educacional e profissional;
- Talentosos, com capacidade de liderança, que queiram aprimorar seus conhecimentos em sua área de atuação;
- Com vinculação profissional com o setor público ou, preferencialmente, com o terceiro setor (ONGs);
- Com experiência em trabalho ou atividades relacionadas ao desenvolvimento de sua comunidade, grupo social, região ou do País;
- Sem experiência educacional ou profissional no exterior.

Benefícios:

- Bolsa mensal de 1,7 mil a 2,5 mil dólares (de acordo com a localidade)
- Auxílio-instalação de 800 dólares
- Subsídio para compra de computador de 500 dólares (se necessário)
- Auxílio para livros de 750 dólares
- Auxílio para desenvolvimento profissional de 1,9 mil a 2,4 mil dólares (de acordo com a localidade)
- Auxílio para viagem internacional de ida ao Estados Unidos de 200 dólares e de 400 dólares para o retorno
- Passagens de ida e volta, seguro saúde, anuidade e taxas escolares.

Informações no site da Fulbright.

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG