Estados Unidos aumentam número de alunos em sala de aula

Orçamentos mais apertados levam escolas públicas a demitirem professores

The New York Times |

Milhões de estudantes de escolas públicas dos Estados Unidos estão vendo suas turmas ficarem cada vez maiores por causa dos cortes no orçamento e demissões de professores, prejudicando ações tomadas ao longo de décadas por pais, gestores e políticos para reduzir a dimensão das turmas.

Nos últimos dois anos, Califórnia, Geórgia, Nevada, Ohio, Utah e Wisconsin abandonaram as restrições sobre o tamanho das turmas. E Idaho e Texas estão debatendo como fazer para colocar mais alunos nas salas de aula.

"Como muitos Estados estão enfrentando graves problemas de orçamento, veremos ainda mais aumentos nesse outono", disse Marguerite Roza, professora da Universidade de Washington que estudou o impacto da recessão sobre as escolas.

Os aumentos estão revertendo uma tendência que se estende há décadas de buscar turmas menores. Desde 1980, professores e outros educadores abraçaram pesquisas que concluíram que as classes menores promovem um ensino melhor.

Rachael Maher, professora de matemática em Charlotte, Carolina do Norte, disse ter percebido a diferença entre as classes menores e maiores. Ela viu suas classes da sétima série aumentarem desde que o sistema de ensino teve problemas de orçamento. Antes, as suas classes tinham em média 25 alunos, este ano a média é de 31.

"Eles dizem que isso não afeta se as crianças têm o que precisam, mas eu discordo totalmente", disse Maher. "Se você ganhou cinco crianças, são cinco novos trabalhos para avaliar, cinco crianças que precisam de trabalho complementar se faltarem, cinco pais a mais para contatar, outros cinco emails para responder. Fica difícil”.

Randi Weingarten, presidente da Federação Americana de Professores, disse que uma série de pesquisas mostrou que os pais se preocupam mais com turmas pequenas do que qualquer coisa, exceto a segurança da escola.

Mas os cortes orçamentais estão obrigando as escolas a aumentar a dimensão das turmas, colocando aqueles que defendem classes menores na defensiva.

Leonie Haimson, diretor executivo do grupo Class Size Matters, disse que muitos Estados aprovaram políticas que limitam o número de estudantes por sala no final dos anos 1980 e começo dos anos 1990.

"Mas agora, na maioria dos Estados, você está vendo aumentos definitivos nas turmas por causa da recessão e dos cortes de orçamento", disse Haimson. "Infelizmente, vimos também o surgimento de uma narrativa que se tornou dominante na reforma do ensino que insiste que o tamanho das turmas não importa".

Aqueles que apoiam essa noção incluem a secretária da Educação Arne Duncan, que no último domingo disse a governadores reunidos em Washington que considerem o pagamento de bônus para que os melhores professores aceitem estudantes extra.

Duncan disse que prefere colocar seus filhos em idade escolar em uma sala de aula com 28 alunos liderados por um "professor fantástico" do que em uma com 23 e um professor "medíocre".

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