Estados reforçam preparação de alunos da rede pública para o novo Enem

BRASÍLIA - Em menos de dois meses, 4,5 milhões de estudantes participarão do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que a partir deste ano vai substituir o vestibular em parte das universidades federais. Para reforçar a preparação para a prova, algumas secretarias estaduais estão oferecendo cursinhos preparatórios ou aulas de reforço aos alunos.

Agência Brasil |

No Rio de Janeiro, a estratégia adotada foi o ensino a distância. Em 500 escolas, no turno contrário às aulas regulares, os alunos poderão assistir a aulas preparatórias ministradas por professores em um estúdio. A transmissão dos conteúdos será ao vivo, via satélite. Os candidatos poderão enviar perguntas por email para os professores, além de contarem com o apoio de um tutor nas salas e apostilas específicas. Os vídeos das aulas e o material também estarão disponíveis no site da secretaria. A previsão é atingir 50 mil alunos.

Nós temos um contingente enorme de alunos nas escolas e essa foi a solução encontrada para levar aulas de qualidade a todos. Mais do que nunca os alunos precisam ampliar suas possibilidades de preparação. Os estudantes da rede privada tinham mais oportunidade antes porque eles ficam praticamente em tempo integral na escola, afirma o subsecretário de educação do estado, Júlio da Hora.

No Espírito Santo, as escolas estão sendo incentivadas pela secretaria a oferecerem aulas de reforço no turno contrário ou mesmo aos sábados. Cerca de 100 unidades já participam do projeto, sendo que cada uma organiza seu calendário de trabalho. Iniciativa semelhante foi implantada em Goiás: as escolas com maior número de alunos no 3° ano do ensino médio recebem recursos extras para que possam dar aulas complementares.

Isso deve ocorrer dentro do planejamento pedagógico da escola, sem mudar a rotina da aprendizagem. Ou seja, a escola não pode estar focada apenas no exame, mas considerar a avaliação como um importante indicador da eficácia de medidas inovadoras do ensino médio, explica a secretária de Educação de Goiás, Milca Pereira.

No Acre, as 15 escolas que apresentam os maiores índices de participação no Enem também estão tendo seis horas extras de aula por semana para preparar os estudantes para a prova. Na avaliação de Milca, que representa os secretários estaduais de Educação no comitê responsável pela reformulação do Enem, a permanência do estudante por mais tempo na escola é sempre positiva.

Para ela, o novo modelo do Enem traz mais competitividade aos alunos da escola pública na disputa por uma vaga em universidades federais. A prova valoriza a capacidade de análise dos estudantes e não a decoreba. A escola pública nunca concordou com a ideia do vestibular definir as estratégias para o ensino médio. Ele precisa preparar o jovem para a vida e essa nova formatação do Enem traz embutida essa filosofia, aponta.

No Tocantins, os alunos das 234 escolas de ensino médio do estado vão ter aulas extras fora do período regular de atividades a partir de setembro. Os professores que ultrapassarem a carga horária habitual receberão adicional, segundo informou a Secretaria Estadual de Educação e Cultura.

No Amazonas, a estratégia adotada pela secretaria é a realização periódica de simulados do exame. As provas são aplicadas a todos os estudantes da rede para que estejam preparados para o modelo da prova. Para Milca, as ações precisam estar focadas não só na preparação para uma prova, mas para a mudança de metodologia do ensino médio que está sendo induzida pelo Enem.

O maior beneficiado será o próprio estudante que terá uma aprendizagem mais consistente e em sintonia com o que acontece no mundo. Estamos em um processo de construção, mas acredito que a escola pública terá mais chances de competir, afirma.

    Leia tudo sobre: enemvestibular

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG