Especialistas defendem expansão e mudanças no ensino técnico

A falta de mão-de-obra técnica e qualificada para atender as demandas de crescimento e desenvolvimento do País é apenas um dos motivos que tornou mais evidente a necessidade de ampliação da oferta de vagas na educação profissional brasileira.

Priscilla Borges, iG Brasília |


Incluir uma população historicamente excluída da educação formal ou que não podia se dedicar exclusivamente a ela sem trabalhar é outra forte razão. Além disso, o ensino médio precisava ganhar outros significados para os jovens, especialmente os de família mais pobre, que não incluía a formação superior em seus planos de vida.

Nesta segunda-feira, durante a Conferência Nacional de Educação (Conae), um debate entre especialistas na área levantou outros conflitos que precisam ser pensados e resolvidos por gestores e educadores que lidam com o ensino técnico. O primeiro deles é o tipo de formação dada hoje aos estudantes matriculados nos cursos profissionais e tecnológicos.

Professores e estudantes demonstraram preocupação com o que acreditam ser um desvio na formação dos futuros técnicos. Eles acreditam que há uma preocupação excessiva das escolas e institutos que oferecem a modalidade de ensino com a adequação dos currículos às exigências do mercado de trabalho. Para os educadores, a formação dos jovens deve ser mais ampla do que isso.

José Carlos Manzano, professor do SENAI de São Paulo, rebateu as críticas, garantindo que o diálogo com os empresários é feito para consultar e ampliar os currículos. Ele garantiu que as orientações curriculares fiquem restritas aos pedidos do setor produtivo. A coordenadora de Políticas da Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação (MEC), Caetana Juracy Rezende Silva, lembrou que a educação para o mundo do trabalho sofre com as mudanças das concepções sobre o trabalho.

Inclusão social

Para Caetana, a inclusão social está intimamente ligada à projeção pedagógica. A demanda por expansão é muito grande e necessária. Mas ela sozinha não é suficiente para democratização do ensino técnico, afirmou. Ela defendeu que a adoção de políticas de ação afirmativa para garantir que as escolas técnicas sejam mais democráticas e diversas.

Dante Henrique Moura, professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte, criticou o fato de a maior parte das matrículas da educação profissional estarem na rede privada de ensino. Segundo ele, dos 795 mil estudantes matriculados na rede de escolas técnicas, 434 mil são de colégios particulares.

Os estudantes que participaram do debate ainda pediram que os delegados da Conae incluam formações em áreas artísticas e culturais nas possibilidades de programas de educação profissional.

    Leia tudo sobre: conae

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG