Especial professor: Apaixonada por lecionar, professora não desiste de dar aulas

Apaixonada pela língua portuguesa, a professora Maria Deosdedite Giaretta, 62, percorreu um longo caminho em sua carreira. E, mesmo aposentada há 14 anos, pretende passar mais alguns aninhos junto de seus alunos.

Paula Menezes |

Acordo Ortográfico

Conhecida como professora Dete, acredita ter se identificado com a área de letras desde cedo. Eu tenho certeza de que foi desde o ginásio. Eu era muito boa aluna em latim e francês. Gostava bastante também de italiano, pois meus pais usavam muito o idioma em casa.

Conta que, aos 17 anos, mudou-se da cidade de Santa Rita para Osasco para estudar, e logo começou a alfabetizar alunos como professora substituta . Assim poderia pagar seus livros e faculdade. Ganhava-se tão bem naquele tempo que, quando completei 18 anos e pude receber por meu trabalho, consegui pagar as minhas dívidas, os meus livros, comprar presente para os meus pais e passar um dia num hotel de luxo em Santos. Era completamente diferente de hoje.

Mesmo com boa formação ¿ bacharel e licenciada em letras neolatinas pela Pontifícia Universidade Católica (PUC), fez pedagogia em seguida e também lato senso na Faculdade Cásper Líbero pra estudar comunicação e linguagem no jornalismo. Possui também o título de mestre em filologia em língua portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP) ¿ conta que a aposentadoria pelo estado é decepcionante . Se eu lhe contar o que eu ganho de aposentadoria você cai dura. Depois de 28 anos dedicados ao Estado, mas dedicados mesmo, com paixão, eu hoje recebo R$1.000,00.

Tanto pelo baixo valor da aposentadoria e em partes pela paixão que tem pela profissão, Dete explica que precisou continuar lecionando. Quando me aposentei e eu imaginava que, me aposentando, eu poderia ler os livros que eu gosto e viajar, mas é pura ilusão porque já faz um bom tempo que o professor no Brasil foi desvalorizado . Além disso, Dete conta que ficou viúva bastante nova. Eu que criei os meninos. Infelizmente eu fiquei sozinha aos 29 anos com três filhos pequenos. Então eu tive que fazer essa opção.

Atualmente a professora Dete leciona no ensino superior. Conta que até 2006 estava lecionando em duas universidades, Centro Universitário Fieo e Fundação Instituto Tecnológico de Osasco ¿ Fito ¿, ambos em Osasco. Mas explica que, após dois anos do falecimento de sua filha em um acidente, acabou por pegar licença de trabalho e, por fim, se desligou completamente de uma delas. Depois do acidente eu não senti muita motivação pra trabalhar em duas universidades o dia inteiro.

Dete mantém seus trabalhos no Centro Universitário Fieo e também em um site ¿ www.linguarudo.net ¿ onde faz assessoria de linguagem. E conta que o trabalho é fundamental. Eu trabalho, é claro, porque preciso me manter, mas o trabalho pra mim é uma paixão , uma satisfação. Eu só não morri também com a morte da minha filha porque eu tenho meus alunos. Eles me ajudam, estão comigo e eu tenho paixão pela minha disciplina. É o que há de bom na vida.

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