Especial Estudante: Fernanda tem um estímulo a mais para estudar

Fernanda Moura Leite, 24 anos, mãe de duas filhas, tem uma rotina bem parecida com a de várias adolescentes brasileiras. Foi mãe aos 18 anos de idade, enquanto ainda cursava o colegial. E um ano e dez meses depois, foi mãe novamente. Chegou a morar junto com o pai de suas filhas e hoje mora novamente junto com sua mãe. Mas nunca deixou seus sonhos de estudar.

Paula Menezes |

Descobri que estava grávida no último ano do colegial. A Gabriela, 6 anos, nasceu em maio do ano seguinte, mas eu já tinha planos de fazer o colegial técnico em informática logo que terminasse o ensino médio e imaginei que não iria conseguir, por conta da gravidez. Expliquei na instituição e consegui resolver o problema. Já a Luiza, 4 anos, nasceu quando eu já havia concluído o curso técnico em informática e não estava estudando na época. Eu queria fazer faculdade, mas achei melhor esperar ela completar um ano. Hoje estou no último ano de faculdade, também na mesma áerea, conta Fernanda.

Conta também que na época, quando teve a 1ª filha, já trabalhava meio período e precisou contar com a ajuda da família para cuidar da filha. "Eu entrava às 8 h no trabalho, saía às 14 h e estudava a noite. Contava bastante com a ajuda da minha mãe, tia e primas para cuidar dela. Já com a Luiza, foi um pouco mais complicado porque eu trabalhava o dia inteiro, fazia faculdade a noite e o pai delas também. Em alguns momentos precisei contratar uma pessoa que cuidasse delas enquanto estávamos na faculdade.

A parte financeira também é bastante complicada. Preciso pagar minha faculdade, pagar minhas contas, sustentar minhas filhas e pagar a escolinha das duas. Lógico que com a ajuda do pai delas, mas ainda assim é bastante pesado.

Mesmo com todas as obrigações cotidianas, Fernanda não deixou de amamentar suas filhas. Conta que as amamentou por nove meses. Eu chegava do trabalho e, antes de amamentar, tirava um pouco de leite e guardava para que elas pudessem tomar enquanto eu estava fora.

A grande desvantagem, segundo ela, é passar muito tempo fora de casa. Eu saio muito cedo para trabalhar, vou direto para a faculdade e, quando chego, elas já estão dormindo. É ruim porque tenho muito pouco tempo para passar com elas. Comenta também que não consegue educá-las do modo como gostaria. Eu gostaria de educar minhas filhas de uma forma diferente, mas por causa do pouco tempo que tenho, elas acabam sendo educadas pela minha mãe e outras pessoas. Então, o pouco tempo que eu tenho, eu tenho que educá-las, tentar dar carinho, tentar dar atenção, tudo ao mesmo tempo. Considero-me várias em uma só: mãe, estudante, profissional, dona de casa e mulher.

Fernanda afirma que, por forte influência de seu pai, valoriza demais os estudos e diz que não consegue se imaginar sem estudar. Estudar é uma paixão. Acredito que ficar sem estudar, pra mim, é um martírio. E completa que se preocupa bastante com o futuro de suas filhas. O que eu vou poder dar de futuro para elas? Eu tenho que estudar pra conseguir um emprego bom, para ganhar melhor e poder dar um futuro melhor para elas. Eu as vejo como um estímulo a mais pra estudar.

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