Especial Estudante: Com quase 70 aninhos, idosa não desiste de aprender

Se existem exemplos de força de vontade e interesse em aprender, Ana Magalhães Carvalho é um deles. Osasquense, Ana completará 70 anos em fevereiro do próximo ano e não desistiu da idéia de aprender a ler e escrever. ¿Estou fazendo o curso há 4 anos. Meu filho trabalhava de segurança no Centro Universitário Fieo (UniFieo) e me avisou que estavam tendo aulas de alfabetização. Aproveitei e trouxe uma amiga¿.

Paula Menezes |

Semana do estudante

Conta que, mesmo estudando há 4 anos, considera ainda pouco tempo e explica: é como a professora Carla costuma falar, uma criança leva 9 anos pra aprender. Nós também temos o nosso tempo. Hoje já escrevo meu nome, dos meus filhos, já dá para fazer listas de compras e até deixar algum recado.

Ana explica que antigamente não havia muita necessidade de estudar. Eu morava na roça e era daquele tempo antigo em que mulher não precisava estudar, mas sim aprender a cuidar da casa. Aprendi a bordar, costurar, cozinhar, trabalhar na roça, enfim, serviços domésticos. Se me dessem uma enxada eu saberia o que fazer, mas uma caneta não.

Mãe de sete filhos, Ana comenta que teve interesse em aprender a ler e escrever para conseguir realizar atividades comuns do dia-a-dia como pegar um ônibus e fazer compras. Eu tinha dificuldades de ler a marca dos produtos em um supermercado, ver qual era o preço, dificuldades em pegar uma condução ou mesmo chegar a um hospital, ver as placas e não saber para onde ir. Conta também que uma vez passou apuros em um shopping. Eu estava apertada pra ir ao banheiro, mas não sabia onde ficava. Só pude ir quando minha neta chegou e eu pedi socorro para ela.

Toda orgulhosa de seus filhos, fala de boca cheia que fez com que todos estudassem. Nem por isso deixei de fazer com que eles estudassem. Eu briguei e os levei para a escola. Os que não estudaram quando jovens estão se formando agora, depois de velhos.

Ana diz também que nunca deixou de votar. Aprendi a assinar meu nome com meus filhos. Até tirei meu título (de eleitor). No começo meu título era de analfabeta, mas eu quis trocar. Fui com minha neta e consegui preencher todos os dados. Hoje meu título não é de analfabeta.

Diz ter bastante incentivo da família, apesar de o marido ter sido contra no início. No começo meu marido não queria, achava que era tempo perdido. Hoje ele não implica mais. Meus filhos me incentivam bastante, mas principalmente minha nora que mora comigo. Quando sinto dificuldades, peço a ela ajuda dos universitários, brinca.

Esforçada, Ana está sempre tirando suas dúvidas e querendo aprender mais. Quando leio alguma coisa na rua que não entendo, se eu estiver com tempo, eu escrevo e pergunto depois para a professora. É muito gratificante.

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