Esforços para aceitação de gays em escolas geram críticas nos EUA

Para acabar com agressão a gays e lésbicas, instituição sugeriu explicar a crianças do 5º ano as possíveis relações sexuais

Erik Eckholm, New York Times |

Alarmados com as evidências de que alunos gays e lésbicas são vítimas comuns de valentões das escolas norte-americanas, muitos estados estão reforçando suas regras anti-assédio com aulas de tolerância, explicando que algumas crianças têm "duas mães" ou vão amar pessoas do mesmo sexo quando crescerem. Mas esses esforços para ensinar a aceitação da homossexualidade, que ganharam urgência depois de vários suicídios de adolescentes homossexuais, estão provocando novas guerras culturais em algumas comunidades.

Muitos educadores e defensores de direitos humanos dizem que as proibições oficiais de insultos e provocações são mais eficazes quando combinadas com discussões abertas, desde a pré-escola, sobre famílias mais diversificadas e sexualidade. Pais irritados e críticos religiosos, embora concordem que o assédio escolar deve ser interrompido, afirmam que liberais e grupos de direitos homossexuais estão usando a bandeira anti-agressão para colocar em prática uma "agenda homossexual" oculta, implicitamente endossando, por exemplo, o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

No verão passado, as autoridades escolares de Helena, capital de Montana, revelaram novas diretrizes para o ensino sobre a sexualidade e a tolerância. Elas propuseram ensinar aos alunos da primeira série que "os seres humanos podem amar pessoas do mesmo sexo" e aos alunos do quinto ano que a relação sexual pode envolver "penetração vaginal, oral ou anal".

Um pastor local, Rick DeMato, levou sua indignação ao púlpito.

"Nós não queremos que as mentes das nossas crianças sejam poluídas com as coisas de uma sociedade de mentalidade carnal", disse DeMato, ao seu rebanho na Igreja da Liberdade Batista.

Em tensas audiências na comunidade, alguns pais vociferaram argumentos conhecidos de que os jovens inocentes não estavam prontos para a linguagem explícita. Outros pais e pastores, juntamente com líderes do Big Sky Tea Party, viram um efeito mais sombrio.

"Qualquer pessoa que leia este documento pode ver que ele promove a aceitação do estilo de vida homossexual", disse uma mãe em uma reunião de seis horas da Associação de Pais e Mestres.

A palavra de Harlan Reidmohr, 18, que se formou na primavera passada e disse ter sido implacavelmente atormentado e agredido depois de sair do armário no seu ano de calouro, não teve grande importância.

Alguns distritos, especialmente em cidades maiores, adotaram as lições de tolerância com mínima dissidência. Mas em bairros periféricos na Califórnia, Illinois e Minnesota, assim como aqui em Helena, os programas têm desencadeado uma forte oposição.

A diretoria da escola dividida em Helena, após quatro meses de turbulência, aprovou recentemente um plano revisto do ensino sobre sexo, saúde e diversidade. 

Grande parte da linguagem explícita sobre sexualidade e famílias homossexuais foi removida ou substituída por frases vagas, como um convite à que as crianças "compreendam que as estruturas familiares são diferentes". 

O superintendente que defendeu ardentemente o novo currículo, Bruce K. Messinger, concordou em deixar os pais tirarem os filhos das aulas que consideram censuráveis.


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