Escolas tiveram acesso a cadernos de pré-teste do Enem, diz MPF

Com base no inquérito da Polícia Federal, procuradoria voltou a recomendar a anulação de questões do Enem para todos os inscritos

Daniel Aderaldo, iG Ceará |

O Ministério Público Federal (MPF) no Ceará divulgou na tarde desta terça-feira trechos do inquérito da Polícia Federal sobre as 14 questões do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2011 antecipadas pelo Colégio Christus aos seus alunos. O documento afirma que coordenadores das escolas onde foram aplicadas as provas do pré-teste em 2010 tiveram acesso aos cadernos de questões.

O ofício assinado pela procuradora da República no Ceará Maria Candelária Di Ciero diz que o consórcio contratado pelo Ministério da Educação (MEC) Cesgranrio/Centro de Seleção e de Promoção de Eventos (Cespe) terceirizou a segurança dos cadernos do pré-teste à empresa Serviarm e que “todos os cadernos foram entregues aos coordenadores dos respectivos colégios onde seriam aplicados, mediante um simples documento de recibo com cláusula de sigilo”.

O documento pede ainda que a Polícia investigue “os elaboradores e revisores envolvidos no pré-teste”. Em outro ofício, com base nas investigações, o MPF volta a recomendar a anulação das 14 questões antecipadas para os candidatos de todo o Brasil e não apenas aos 639 alunos do 3º ano do Ensino Médio do Christus que conheciam as questões antes da prova do Enem.

O MEC informou por meio de sua assessoria que ainda não recebeu a recomendação do MPF, mas adiantou que não irá mudar sua posição, mantendo, portanto, a decisão de anular as questões apenas dos alunos do Christus. Em outubro, durante o auge da crise em torno do Enem, o advogado do Christus Candido Albuquerque chegou a afirmar ao iG que havia evidências de que o consórcio contratado pelo MEC terceirizou a fiscalização e que, portanto, o colégio não podia ser responsabilizado pelas fragilidades do processo.

O MEC já havia confirmado que as questões usadas em simulado pelo Christus antes do Enem foram copiadas de um pré-teste aplicado em outubro de 2010. O pré-teste tinha 13 questões idênticas e uma muito similar as questões que caíram do Enem 2011. Participaram deste processo 100 mil alunos que então cursavam o último ano do ensino médio em 40 cidades.

Na época, a presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Malvina Tuttman, disse em Fortaleza que não houve vazamento de questões e que alguém “guardou por um ano" dois cadernos da prova e depois forneceu ao Colégio Christus.

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