Escolas estaduais têm desempenho pior do que municipais

O Saresp, sistema de avaliação de São Paulo, mostra que os alunos tiveram médias inferiores em matemática e português

Marina Morena Costa e Carolina Rocha |

Pela primeira vez aplicado em larga escala nas escolas municipais, o Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp) apontou que os alunos da rede estadual de ensino têm desempenho pior dos que os da municipal, tanto em português quanto em matemática.

Os estudantes das duas redes realizaram a mesma prova em novembro do ano passado e, na comparação dos resultados de três séries – 4ª e 8ª do ensino fundamental e 3º ano do ensino médio –, a estadual teve porcentagens maiores de alunos classificados no nível insuficiente (abaixo do básico) do que a rede municipal.

Quando comparado o número de alunos que se encontram no nível avançado, a rede municipal tem novamente melhores resultados. É superior a estadual em português e matemática na 8ª do ensino fundamental e 3º ano do ensino médio. Na 4ª série do fundamental, a porcentagem dos alunos avançados é igual em português e menor em matemática.

Veja a comparação nos gráficos abaixo:

Mozart Neves Ramos, presidente do Todos pela Educação e membro do Conselho Nacional de Educação, vê com preocupação a média do desempenho das escolas estaduais. “Quando comparamos claramente o conjunto dos municípios está acima da rede estadual, tanto no IDESP como no desempenho na prova”, destaca o professor.

Ramos destaca a importância do governo estadual ter assumido os custos e a logística da aplicação da prova nas escolas municipais, o que aumentou significativamente a adesão (82,5%). “É louvável essa iniciativa do Estado de procurar integrar a avaliação das redes. Isso dá uma visão sistêmica da educação em São Paulo e nos permite fazer essa comparação, o que antes não era possível”, enfatiza.

O professor Nilson José Machado, do Instituto de educação da Universidade de São Paulo (USP), é reticente quanto às comparações de resultado, pois avalia que há discrepâncias entre os universos da rede estadual e os municipais. Machado avalia, no entanto, que a educação passa por uma “repetição de avaliações sem ação”. “É preciso definir melhor o processo. O sistema todo precisa de uma padronização de forma que tenha real significado”, critica. Para Machado, a grande quantidade de provas e as denúncias de fraude nos sistemas de avaliação como um todo comprometem a eficácia e colocam em dúvida a credibilidade.

A importância de que os números se transformem em ação é compartilhada pelo professor Ramos. “Para não ficar só no semáforo, na nota, seria importante que o governo do Estado mapeasse as regiões de índices abaixo da média e elaborasse relatórios circunstanciados, para ajudá-las a acelerar o desenvolvimento do ensino e melhorar a capacitação dos professores”, afirma.

Na avaliação de Ramos, o resultado da rede estadual se justifica pelas grandes disparidades da rede. Há regiões, como o Noroeste, com altos níveis de educação e outras com desempenho muito ruim. “Um estado rico como São Paulo tem condições de apresentar situações mais uniformes.”

Na apresentação dos resultados do Saresp 2009, na tarde desta quarta-feira no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, o secretário de Educação do governo estadual, Paulo Renato Souza, afirmou que o Ensino Médio precisa ser passado completamente para a administração do Estado. Ao ser questionado sobre o mau desempenho dos estudantes das redes municipais em matemática no 3º ano, o secretário acredita que a partir do próximo Saresp os resultados melhorarão, já que no último ano foi passado para as escolas municipais o currículo da rede estadual.

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