Escola conecta alunos com a tecnologia e o futuro

Com horário integral, instituição de ensino médio no Rio prepara alunos para trabalhar com games, mídias digitais e conteúdo multimídia

Anderson Dezan, iG Rio de Janeiro |

George Magaraia
Alunas do Nave utilizam equipamentos eletrônicos no intervalo das aulas
Imagine uma escola pública montada para oferecer um modelo tecnológico de educação. Nela, os estudantes encontram salas de aula informatizadas, computadores de última geração, internet de alta velocidade e vídeo games, como Playstation e X-Box, disponíveis para serem usados nos intervalos. Ao contrário do que muitos poderão pensar, ela não está localizada nos Estados Unidos ou em um país europeu. A descrição se refere ao Núcleo Avançado em Educação (Nave) , situado no bairro da Tijuca, zona norte do Rio.

Construída em um prédio de quatro andares onde funcionava uma estação telefônica, a escola surgiu em 2008 através de uma parceria público-privada entre a Secretaria Estadual de Educação do Rio e o Oi Futuro, instituto de responsabilidade social da Oi. Decorado com painéis hi-tech, cores vibrantes e pufes, o Nave foi criado para ser um pólo de referência em educação digital.

Como quase todos adolescentes, os 420 alunos de ensino médio da escola estão intensamente conectados ao mundo digital em que vivem. São aficionados por gadgets, têm perfis em redes sociais, ouvem músicas em tocadores digitais e descobrem em poucos dias os truques para “zerar” os novos lançamentos do mercado de games. A diferença é que, além de usuários, eles são preparados para trabalhar nesses mercados cada vez maiores.

George Magaraia
Consoles de Playstation e X-Box ficam à disposição dos alunos no Nave
Com uma grade curricular de horário integral, o Nave tem, além das disciplinas tradicionais, três opções de cursos técnicos: programação de games, roteiros para mídias digitais e geração de conteúdo multimídia. No primeiro ano, eles cursam matérias comuns aos três cursos. A partir do segundo ano, já seguem a carreira que optaram.

“O Nave surgiu para ser uma escola com excelência de ensino e um toque de tecnologia misturado à pedagogia. Unimos educação com o mundo que os adolescentes adoram”, diz o vice-presidente do Oi Futuro, George Moraes.

Para estudar no Nave, é obrigatório que o adolescente tenha cursado o 9° ano do Ensino Fundamental em uma escola pública. As inscrições são abertas no final do ano e os candidatos fazem provas de português, matemática e raciocínio lógico. Os 140 candidatos mais bem colocados são chamados para realizar a matrícula.

George Magaraia
Alunas brincam em instalação futurística do Nave
Futuro

Em seu primeiro ano na escola, Ana Carolina Ballero, de 15 anos, conta que ainda está se acostumando com as novidades. No Nave, por exemplo, ela leva o dever de casa em um pen drive que recebeu ao se matricular. “É tudo muito diferente da minha antiga realidade. Você vê computadores por toda parte. Na escola municipal onde estudava não tinha aula de informática. Meus amigos não acreditam quando digo que aqui é assim”, relata.

Para desenvolvimento das atividades curriculares, a escola tem um moderno laboratório de informática com computadores da Apple. Há ainda à disposição dos estudantes um estúdio de som e TV de fazer inveja a muitas faculdades de comunicação.

“O mais difícil para os alunos é romper com algumas estruturas de pensamento. Apesar de viverem neste mundo em rede, muitas vezes, na hora da produção, o pensamento deles ainda é muito linear. Nosso objetivo é quebrar isso, ajudá-los a terem boas ideias e a estruturá-las”, diz Tiago Dardeau, coordenador do curso de roteiros para mídias digitais.

George Magaraia
César Henrique da Silva se inspira em Mark Zuckberg. "Quero chegar aonde ele chegou"

Aluna do 2° ano, Gisele Lima, de 15 anos, conta que já começa a enxergar o mundo de outra forma. “Dia desses, olhei para a sapatilha da professora de biologia e comecei a pensar em módulos de interface. Acabamos aplicando o que aprendemos no nosso dia-a-dia. Meus amigos que não estudam aqui às vezes ficam assustados com isso”, brinca a aluna do curso de multimídia.

Quando chegam ao 3º ano, os alunos devem montar um projeto que gere lucro. César Henrique da Silva, de 18 anos, do curso de programação de games, está desenvolvendo sua ideia. Para alcançar o sucesso, ele já escolheu seu inspirador: Mark Zuckberg, o polêmico criador do Facebook, site originado nos tempos de faculdade. “Acho que todos os alunos querem chegar aonde ele chegou. A escola te prepara para isso, para você inventar algo novo”, finaliza o adolescente.

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG