Escola americana com 4,1 mil alunos foi do fracasso ao sucesso

Economista de Harvard chama atenção para instituição em Massachusetts que mesmo com muitos alunos melhorou muito em 10 anos

The New York Times |

BROCKTON, Massachusetts – Uma década atrás, a Escola do Ensino Médio Brockton foi um estudo de caso de fracasso. Professores e administradores frequentemente mencionavam o lema não-oficial da escola em conversas pelos corredores: os estudantes têm direito a falhar, se quiserem. E muitos deles o fizeram – apenas um quarto dos alunos foram aprovados nos exames do Estado. Um em cada três desistiu.

Em seguida, a professora Susan Szachowicz e alguns colegas decidiram tomar uma atitude. Eles persuadiram os administradores a deixá-los organizar uma campanha por toda a escola que incorporou lições de leitura e escrita em todas as classes e em todas as disciplinas, incluindo educação física.

Seus esforços foram recompensados rapidamente. Em 2001, mais alunos passaram nos exames do estado depois de ter falhado um ano antes do que em qualquer outra escola em Massachusetts. As melhoras continuaram. Este ano e no passado, Brockton superou 90% das escolas de ensino médio de Massachusetts. E a sua recuperação está recebendo nova atenção em um relatório, “How High Schools Become Exemplary” (Como Escolas do Ensino Médio se Tornam Exemplares, em tradução livre), publicado no mês passado pelo economista de Harvard, Ronald F. Ferguson, que estuda as diferenças de conquistas das minorias.

O que torna a história de Brockton surpreendente é que, com 4.100 alunos, a instituição é uma exceção ao que se tornou sabedoria comum em muitos círculos educacionais – que menor é quase sempre melhor. Brockton é a maior escola pública de Massachusetts e uma das maiores do país.

Szachowicz e outros professores tomaram medidas em parte porque uma catástrofe acadêmica parecia iminente. Massachusetts havia instituído um exame de aprovação para o ensino médio em 1993 e ele se tornaria uma exigência para a graduação uma década depois. A menos que a cultura da escola melhorasse, cerca de 750 alunos não conseguiriam obter seu diploma a cada ano, começando em 2003.

Szachowicz, que em 2004 se tornaria diretora da Brockton, e Paul Laurino, chefe do departamento de inglês na época – ele se aposentou alguns anos depois – começaram a se reunir aos sábados, com outros colegas para debater estratégias para melhorar a escola.

O grupo se tornou conhecido como a comissão de reestruturação da escola e a diretoria não ficou no seu caminho. A diretora "apenas deixou isso acontecer", diz o relatório Harvard.

O primeiro passo da comissão foi implementar um retorno ao básico e considerar que a leitura, fala, escrita e raciocínio são as habilidades mais importantes a se ensinar. Eles partiram para recrutar cada educador da instituição – e não apenas os de inglês, mas matemática, ciências e até mesmo conselheiros de orientação profissional – para ensinar essas habilidades aos estudantes.

Sindicatos de professores têm resistido a esforços similares em muitas escolas. Mas em Brockton, o sindicato nunca se tornou um adversário sério, em parte porque a maioria dos membros do comitê eram professores sindicalizados e a comissão escrupulosamente honrou o contrato do sindicato.

Ao longo dos anos, Brockton aperfeiçoou seu currículo de alfabetização. O desempenho da escola não é tão estelar em matemática como em inglês, e a comissão contratou uma consultoria externa para ajudar a desenvolver estratégias para melhorar o ensino de matemática.

Ferguson disse que a Escola do Ensino Médio Brockton primeiro "chamou atenção por seus dados" no início do ano passado. Ele estava examinando a pontuação de escolas de Massachusetts em 2008 nos exames estaduais em seu escritório em Cambridge quando percebeu que Brockton tinha resultados melhores do que 90% das outras 350 instituições do Estado em ajudar seus alunos a melhorar a sua pontuação na língua inglesa.

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