Entidades pedem a candidatos mais compromisso com a educação

Instituições pedem mais investimentos e valorização do professor em carta que será entregue a políticos

Priscilla Borges, iG Brasília |

Entidades que representam diferentes áreas educacionais assinaram nesta terça-feira, na sede do Conselho Nacional de Educação (CNE), em Brasília, uma carta-compromisso que será entregue a todos os candidatos destas eleições. A idéia é fazer com que os políticos se comprometam a investir na área de acordo com as propostas aprovadas pela sociedade na última Conferência Nacional de Educação (Conae), ocorrida em abril.

A carta pede que os próximos parlamentares e governantes assumam quatro compromissos que consideram fundamentais: ampliação do financiamento da educação, ações para valorizar os profissionais que trabalham na área, promoção da gestão democrática e aperfeiçoamento das políticas de avaliação e regulação.

Para isso, acreditam que deve ser criado um Sistema Nacional de Educação, que envolva União, Estados e municípios na busca de soluções para os problemas educacionais do País. Eles enumeraram, na carta, sete desafios prioritários: inclusão, até 2016, de todas as crianças entre 4 e 17 anos na escola; universalização do atendimento da demanda por creche; superação do analfabetismo; promoção da aprendizagem; garantia de que, até 2014, todas as crianças com até 8 anos estejam alfabetizadas; estabelecimento de padrões mínimos de qualidade para as escolas e ampliação das matrículas no ensino profissionalizante e superior.

Daniel Cara, coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, acredita que a carta condensou pontos essenciais, que devem se tornar objeto de políticas públicas. Mas admite que a carta poderia ter avançado em outros temas, como a educação no campo. “Vamos tentar colher assinaturas de todos os candidatos, porém o mais importante será fazer com que os políticos eleitos assumam esses compromissos”, pondera.

Apenas o senador Cristovam Buarque, candidato à reeleição pelo PDT-DF compareceu ao lançamento da carta. O objetivo das entidades, aliás, não era que candidatos fossem ao evento. “Esse não era o momento. Não queríamos que eles assinassem nada agora. Nosso objetivo é primeiro divulgar a carta-compromisso para a sociedade. Há uma demanda enorme de políticos querendo assiná-la já, mas essa é uma segunda etapa”, afirma Mozart Neves Ramos, conselheiro do CNE e do movimento Todos pela Educação.

Marie-Pierre Poirier, representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), diz que o documento apresentado pelas entidades é pioneiro, porque exige garantias de educação de qualidade à cada criança brasileira. “É uma estratégia de combate à desigualdade. O direito de aprendizagem de cada criança é pauta em poucos países no mundo”, garante. “Queremos aprender com essa experiência também”, comenta.

A mobilização da sociedade para cobrar os políticos será de importância fundamental durante a campanha eleitoral, analisa o representante da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) no Brasil, Vincent Defourny. “Falar que vai se comprometer é fácil. Estamos apontando caminhos concretos e a sociedade deve estar atenta ao cumprimento desses compromissos”, garante.

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